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Colunistas » Rodrigo Manzano
Publicado em: 27/09/2007 16:30
Jornalismo off-line

Estamos sem Internet. Desde ontem, às 13h27min, quando chegou o último e-mail em minha caixa de entrada, as redações da revista e portal IMPRENSA estão ilhadas do mundo digital. Absolutamente isoladas. Temos apenas três vias de acesso ao universo: a janela, o telefone e a porta. Há dois dias, entram e saem técnicos da Telefônica, da prestadora de serviços na área de informática e redes, do Departamento de Pesquisa e Tecnologia. Ainda não tentamos pai de santo, benzedeira, pastor ou novena. Por enquanto.

Sem Internet, a redação se transformou. Uns foram embora, voltaram para casa, de onde asseguram estar trabalhando. Outros aproveitam o momento para fazer telefonemas e retirar pendências da frente. A repórter Angélica Pinheiro lê a revista Piauí de setembro. A Karina Padial, a estagiária, escreve uma nota para a próxima edição de IMPRENSA. No departamento de eventos, as meninas se viram como podem. O editor executivo da revista, Pedro Venceslau, fugiu para um cyber café. A Thaís Naldoni, editora do Portal, sobrevive com uma conexão discada a 50,6 kbps. E eu escrevo essa coluna. O que nos consola é que, de certa forma, sabemos que hora ou outra a conexão vai se reestabelecer.

Agora, imagine que a Internet desapareça para sempre. Repito: para sempre. Você conseguiria trabalhar normalmente? Já pensei em propor um desafio para meus colegas de redação: um off-line day, uma espécie de gincana. O objetivo final é fazer jornalismo de qualidade, com informação consistente, reportagens bacanas. Muitos de nós ficamos absolutamente atordoados quando não estamos conectados. É como se a profecia de Marshall MacLuhan, para quem os meios de comunicação são extensões do nosso sistema nervoso central, tivesse se concretizado e, amputados, agonizássemos a ausência de um membro. O mesmo MacLuhan escreveu que "os homens criam as ferramentas, as ferramentas recriam os homens". Pergunto: no que a Internet transformou você, leitor? Num dependente do Google? Num inseguro quanto às informações que você acredita ter certeza estarem corretas, mas não custa nada checar? Num ser que envia e recebe e-mails de suas fontes e contatos, mas nunca procurou se encontrar, pessoalmente, com nenhuma delas, para um almoço? Em alguém que reclama da quantidade de releases que chegam à sua caixa de entrada, mas sequer os lê, procurando uma pauta viável, interessante? Quanto de você online sobrevive off-line?

Tem horas que precisamos chamar o técnico de informática das nossas emoções. Alguns o chamam de analista.



* Rodrigo Manzano é Diretor Editorial da IMPRENSA e professor de Jornalismo na graduação e pós-graduação do UniFIAMFAAM, em São Paulo.  veja mais
 


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