No final da década de 80, trabalhar com assessoria de imprensa não era tarefa das mais fáceis. Eliane Santos, no cargo há 23 anos - 20 deles, no Sebrae-SP, onde segue atuando – sabe muito bem disso. “Naquela época, era uma coisa muito baseada na amizade pessoal que você tinha com o jornalista. Também éramos mal-vistos. Os colegas de jornalismo diziam que trabalhávamos para o sistema (risos)”, relembra, bem-humorada.
Hoje a coisa mudou, tanto que Eliane recebe nesta quarta-feira (7/3) seu primeiro prêmio da carreira. Ela venceu o “Troféu Mulher IMPRENSA” na categoria assessoria imprensa, com a segunda maior votação proporcional do prêmio, com 47% dos votos. O detalhe é que para chegar à finalíssima ela foi selecionada por um júri composto, predominantemente, por jornalistas. Sinal de que o trabalho vai bem.
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Na entrevista abaixo, a vencedora conta sua longa trajetória na área, fala da evolução da função nas últimas duas décadas e mostra que a experiência lhe ajudou a dominar a “língua” das redações. Com sua equipe, tenta seguir à risca o procedimento: “Nunca deixe de atender um jornalista e o mais rápido possível, ele pode estar desesperado com o fechamento”. A redação agradece.
IMPRENSA - Você planejou atuar na assessoria de imprensa ou chegou à área por acaso?
ELIANE SANTOS - Desde a faculdade, gostava muito de comunicação empresarial. Os colegas sempre interessados em trabalhar em jornal ou TV, mas eu já me atraía pela área, talvez até influenciado por alguns professores. Comecei minha carreira como assessora de imprensa na Prefeitura Municipal de Lorena que, aliás, foi uma grande escola. Lá aprendi que fazer assessoria de comunicação é fazer um pouco de tudo. Fazia desde o jornal mensal da prefeitura até os discursos do prefeito. Depois recebi um convite de uma ex-professora da faculdade para vir para o Sebrae, como assessora de imprensa, e estou aqui há 20 anos.
O que mudou do início para hoje, na prática da assessoria de imprensa?
É impressionante a aceitação das redações com o approach do assessor de imprensa hoje. Há 20 anos era uma coisa muito baseada na amizade pessoal que você tinha com o jornalista. A dicotomia entre o jornalista/assessor e o jornalista/repórter era muito grande. A gente era mal-visto. Diziam que trabalhávamos para o sistema, essas coisas (risos)... Lembro também de, há 20 anos, estar falando com um repórter da Agência Estado e ele dizer: “Que isso, Eliane, microempresa não é notícia e nunca vai ser, para com isso” (risos).
O que torna uma assessora boa e eficiente?
Eu queria dizer que esse prêmio não é só meu. Tanto minha equipe atual, quanto a equipe de 2011, já que o prêmio é referente ao ano passado, foram sensacionais comigo. E há orientações que a gente sempre coloca. Nunca deixe de atender um jornalista e o mais rápido possível. Sabemos que, muitas vezes, ele está do outro lado no desespero, no fechamento. Respondendo sim ou não, dê uma resposta. Outra coisa é procurar entender a pauta dele, pois, às vezes, fica difícil de a pessoa formular. A gente tenta ajudar para que a matéria dele tenha conteúdo importante para o leitor dele.
Quais são os erros que o assessor tem que tomar mais cuidado para evitar?
Eu acho que é a coisa de tentar “enfiar goela abaixo” uma pauta que não tem nada a ver. Ligar na hora errada para a pessoa ou não ser ágil na resposta. Hoje em dia, a gente recebe solicitação de entrevista por Twitter, por Facebook. Então, você tem que estar antenado nisso. É o nosso mundo hoje é mais ágil do que nunca.
O que é mais difícil de aguentar dos jornalistas?
“Tô fechando, tô fechando, você não conseguiu ainda para mim” (risos). É a busca da informação no fechamento mesmo. Às vezes, você não consegue atender ou atende de uma forma capenga, o que não é bacana. Mas, a gente aprendeu também que cada veículo tem suas idiossincrasias. Tem o cara que liga para você no sábado ao meio-dia e pede uma fonte para uma declaração e nós, aqui, não trabalhamos de fim de semana. Já me ligou gente no Ano Novo e você tem que atender, faz parte. É a parte que dá um trabalhinho maior (risos).
De todas as 14 categorias do “Troféu Mulher IMPRENSA”, você foi a segunda mais votada em termos proporcionais, com quase 42% dos votos. A que ou a quem você deve essa votação tão expressiva?
Eu devo a uma rede de amigos que eu cultivei durante esses anos todos. É a longevidade do contato. Aos amigos de redação, colegas de trabalho, clientes do próprio Sebrae. Até hoje eu tenho contato com gente da época em que eu era foca na empresa (risos).
O que o Troféu Mulher IMPRENSA representa para sua carreira?
Olha, foi a primeira vez que fui indicada para um prêmio. Fiquei bem feliz. Estava feliz só de ser finalista, já ia marcar um churrasco só para isso (risos). E vencer é muito bom, muito bom saber que além de querida pessoalmente, você é reconhecida profissionalmente, e que o trabalho que você está fazendo é bacana, ético e profissional. Porque, no dia a dia, você não tem muito esse feedback. Com o prêmio, foi uma enxurrada de gente falando isso para mim (risos).