Na última quarta-feira (2/8), o catedrático Juan Pablo Cadena disse considerar que para Julian Assange a figura ideal aplicável no Equador é a de refúgio e não de asilo político, informou o portal Prensa Latina.
Em entrevista ao portal O Telégrafo, Cadena disse que se for outorgado a Assange a condição de refugiado, automaticamente estaria também sob a proteção do Alto Comissionado para os Refugiados das Nações Unidas (Acnur, sigla em inglês).
"Politicamente seria muito difícil ao Reino Unido negar-lhe a solicitação a uma agência da ONU", argumentou um analista. No caso de Londres negar o salvo-conduto para sair da embaixada do Equador, onde o jornalista australiano aguarda uma resposta do governo equatoriano, a Acnur poderia intervir.
A agência acrescentou que poderia unir a petição equatoriana para que Reino Unido permita ao fundador de Wikileaks abandonar a delegação diplomática deste país sul-americano em Londres, na qual permanece desde o passado 19 de junho.
Crédito:Divulgação
Para Assange, a condição de refugiado político é mais interessante que a de asilado
Para o especialista em temas internacionais, o asilo político está reconhecido no Sistema Interamericano, com a Convenção de Caracas de 1954, e afirma que todos os países na América Latina podem dar asilo a uma pessoa perseguida por sua filiação política, por fatos ou delitos com uma vinculação política.
No entanto, Cadena vê dificuldade no asilo para o caso de Assange, uma vez que a Convenção de Caracas só se aplica para o sistema interamericano e que os britânicos não reconhecem a Convenção, podendo assim negar ao jornalista o abandono do recinto diplomático para viajar ao Equador. O catedrático argumentou ainda que a figura do refúgio é reconhecida pela maioria de estados das Nações Unidas.
Cadena disse que o cidadão deve demonstrar que teme por sua vida e que Assange tem todos os argumentos para pedir refúgio, porque se é acusado pelos EUA, sua vida poderia correr risco.