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Portal Imprensa » Entrevista da Semana
Publicado em: 05/05/2008 17:35
Para o jornalista Gustavo Krieger, "o jornalismo político é exercido onde há o poder"

Por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA

O jornalista Gustavo Krieger notabilizou-se, no início de sua carreira, por cobrir o governo Collor. A participação da imprensa foi considerada decisiva para o impeachment do mais jovem presidente da história do Brasil, que deixou o cargo acusado de corrupção. Krieger, na época, era repórter da Folha de S.Paulo, um dos jornais mais envolvidos nas investigações contra o presidente.

Em 2006, ocupando o cargo de diretor da sucursal de Brasília da revista Época, Krieger foi um dos responsáveis pela reportagem que denunciou ao país o caso Waldomiro Diniz. Depois do repórter Andrei Meireles ter conseguido fitas de vídeo que mostravam Waldomiro negociando contratos, propinas e contribuição de campanha com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, a Época conseguiu uma entrevista com Waldomiro, que reconheceu a negociação.

Agora, trabalhando no Correio Braziliense, o jornalista, que já foi vice-presidente da Radiobrás, lança um blog, contextualizar as notícias, fazer análises políticas e explorar os bastidores.

Portal IMPRENSA - Você se notabilizou, no começo da sua carreira, ao cobrir o governo Collor, tanto que merece foto de página inteira no livro de Mario Sergio Conti. Compare as dificuldades e facilidades de cobertura nos governos Collor, FHC e Lula.
Gustavo Krieger -
É uma análise difícil, porque não mudaram apenas os governos. Eu também mudei ao longo desses quase 18 anos... E a imprensa brasileira também. No governo Collor tudo era muito novo. O jornalismo de investigação ainda engatinhava. Tratava-se do primeiro presidente eleito diretamente depois de um longo período de diatadura militar. Estávamos estabelecendo práticas de investigações, traçando e mudando limites. Certamente, quando começaram as denúncias de corrupção no governo, não imaginávamos que elas levariam ao impeachment do presidente. Nos governos FHC e Lula desenvolvemos essas ferramentas de investigação e aperfeiçoamos nosso trabalho, mas acho que mantivemos uma certa onipotência. A sensação de que a mídia poderia derrubar qualquer presidente quando quisesse. O que não é verdade.

IMPRENSA - Você foi vice-presidente da Radiobrás no primeiro mandato de Eugênio Bucci. Para um jornalista investigativo como você é, como foi, digamos, trabalhar do lado de lá?
Krieger -
Quando Eugênio me convidou, aceitei atraído pela possibilidade de reformar a empresa e criar um modelo de jornalismo público e não estatal. Sabia que era muito difícil, mas o desafio era atraente demais. Mas não me adaptei ao "lado de lá" e seis meses depois estava na revista Época. Meses depois, causamos uma grande dor de cabeça ao governo com o caso Waldomiro Diniz. Essa sim é a minha praia.

IMPRENSA - Você acha que o jornalismo político tem de ser coberto necessariamente de Brasília?
Krieger -
Não. O jornalismo político é exercido onde há o poder. Isso vale para Brasília e para qualquer prefeitura no interior do país. Mas Brasília é onde o jogo político é mais forte e radicalizado. Acho que quem gosta desse tipo de cobertura precisa passar por aqui, ao menos por um tempo.

IMPRENSA - O seu blog no Correio Braziliense vai trazer apenas comentários ou vai trazer furos? Se for esse último caso, não há problemas em você furar o seu prórpio jornal em seu blog?
Krieger -
O blog será especializado em análise e bastidores. Ele pertence ao jornal e é uma complementação do meu trabalho no Correio. Não vou furar o jornal, não. O que pretendo é contextualizar as notícias e explorar os bastidores. Também exploro no blog recursos que não tenho no jornal impresso, como entrevistas em vídeo.

IMPRENSA - Quais são seus próximos projetos depois do blog?
Krieger -
Dormir... Brincadeira. É que estou fazendo o blog, uma coluna de análise e um programa de debates transmitido pelo site do Correio. E o Josemar Gimenez, que é o nosso diretor de redação, avisou que nada disso pode atrapalhar a apuração diária...
Além disso, dou aula de jornalismo político e participei nesse semestre da criação da Escola Livre de Jornalismo, um projeto que reúne repórteres experimentados e estudantes universitários para troca de experiências e debate sobre a profissão. É uma idéia legal, está dando certo e no próximo semestre vamos levar para outras cidades.



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