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Publicado em: 26/05/2008 15:00
"Jornalistas de televisão se mostraram preconceituosos na cobertura do 'Caso Ronaldo'", afirma o ator Rodrigo Najar

Por Julia Baptista/Redação Revista IMPRENSA

Com estréia prevista para o final do segundo semestre deste ano, o documentário "Questão de Gênero" venceu a categoria "Vídeo" da oitava edição do prêmio "Cidadania em Respeito à Diversidade". O filme foi idealizado e dirigido por Rodrigo Najar, que também é ator, publicitário e locutor.

Najar atuou nos longas "Batismo de Sangue" (2005), de Helvécio Ratton, "Sal de Prata" (2004), de Carlos Gerbase, "Nossa Senhora do Caravaggio" (2005), de Fábio Barreto, entre outros. No entanto, esta foi a primeira vez em que esteve por detrás das câmeras. E o resultado pode ser considerado surpreendente. O longa acompanha a vida de sete pessoas transexuais, que têm em comum a certeza de que nasceram em um corpo errado.

À IMPRENSA, Rodrigo Najar falou sobre a realização do vídeo e fez críticas à maneira como a mídia tratou o envolvimento do jogador Ronaldo com travestis.
 
IMPRENSA - Qual o significado desse prêmio?
Najar -
Receber um prêmio na Parada [do Orgulho GLBT] significa que o trabalho está cumprindo seus objetivos de promover a reflexão, a discussão e contribuir para que haja uma melhor compreensão da transexualidade. Se fosse um prêmio de cinema, estaríamos orgulhosos por termos feito um bom filme. Esse prêmio nos deixa orgulhosos por podermos dar uma pequena contribuição para acabar com preconceitos contra transexuais.
 
IMPRENSA - O que te motivou a fazer esse documentário?
Najar -
A vontade de conhecer pessoas que eu ainda não conhecia e compreendê-las de um modo que eu não compreendia ainda.
    
IMPRENSA - Como foi a seleção dos entrevistados?
Najar -
Entrevistei 29 transexuais no Brasil todo, por telefone, e-mail, MSN e pessoalmente. Daí, escolhi sete pessoas que tinham perfis  e idades diferentes e que estavam em diferentes estágios de transição. O que todos eles tinham em comum era uma grande lucidez sobre sua condição e a vontade de ajudar a desmistificar a transexualidade, por meio do documentário.

Julia Baptista

Rodrigo Najar e a editora Thêmis Nicolaidis receberam
o prêmio na quinta-feira, na Praça da República

IMPRENSA - Quanto tempo levou para que o vídeo ficasse pronto?
Najar -
Ficamos exatamente um ano gravando e mais cerca de dois meses na finalização.
 
IMPRENSA - Como é a recepção do documentário entre as pessoas transexuais?
Najar -
Eles adoram. Isso é outra coisa que me deixa muito feliz. Os transexuais se sentem muito bem retratados no documentário, que têm além de muita seriedade, muito bom humor.
 
IMPRENSA - Qual é a tua opinião a respeito da repercussão nos meios de comunicação, mais especificamente na televisão, do envolvimento do jogador de Ronaldo com três travestis?
Najar -
Os jornalistas de televisão se mostram absurdamente preconceituosos, machistas e desrespeitosos ao tratarem esse caso. Em primeiro lugar, é um assunto pessoal: só interessa ao Ronaldo com quem ele transa e o que aconteceu naquele dia. Em segundo lugar, não há nada de errado em querer fazer sexo com travestis, portanto não haveria motivo para "condenar" o jogador.

E por fim, eu gostaria muito de ouvir Ronaldo Nazário dizer sobre o caso: "Minha vida pessoal é minha e não vou falar sobre  isso". Mas ele preferiu chorar, se dizer arrependido e alegar que foi enganado. Enfim, às vezes o homem não está a altura de seu talento. Vejo os jornalistas se referindo "aos" travestis de uma forma como se nem fossem seres humanos. Ronaldo estava com três "PESSOAS" no Motel. Parece que isso nunca é dito. Travestis não são pessoas? Ou são pessoas inferiores às outras?



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