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Portal Imprensa » Entrevista da Semana
Publicado em: 23/06/2008 16:54
Samantha Maia diz que no jornalismo econômico é preciso transformar os números em histórias

Por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA

Há três anos no jornal Valor Econômico, a jornalista Samantha Maia acredita que, para transmitir uma informação de uma área tão específica como a economia para o público, é preciso sempre partir do pressuposto que o leitor é leigo; assim fica mais fácil quebrar a barreira que separa os assuntos de economia do nosso dia-a-dia. "Se você não consegue aplicar os temas de economia à vida das pessoas, eles não fazem sentido", diz.

A jornalista começou como estagiária no Valor em março de 2005, na editoria de Opinião, trabalhando com edição de artigos. Desde janeiro de 2007, cobre infra-estrutura - que engloba assuntos de energia, saneamento e transportes - na editoria Brasil. Ela acredita que o papel do repórter é usar os números como referência, e não como fato em si.

"Vou dar um exemplo atual, da inflação dos alimentos: temos o IPCA subindo, mas o fato principal é que está mais caro comprar alimentos, isso é algo real. Na hora de fazer uma matéria é preciso buscar os motivos junto às empresas, ouvir personagens, e transformar os números em histórias", explica Samantha.

Para ela, o importante é "sempre tentar olhar a economia como um produto humano não como uma ciência exata. Isso ajuda a entender melhor a dinâmica das atividades econômicas e a dar cara ao 'mercado', figura colocada à vezes como um agente em si".

Redação Portal IMPRENSA - Qual a maior dificuldade que você sentiu em começar em um ramo do jornalismo tão específico como o econômico?
Samantha Maia -
Acho que a maior dificuldade é quebrar a barreira que separa os assuntos de economia do nosso dia-a-dia, pois se você não consegue aplicar os temas de economia à vida das pessoas, eles não fazem sentido. Para mim, esse é o maior desafio de quem escreve sobre economia, pois sempre temos que partir do princípio que o leitor é leigo, e para isso é preciso não só entender um tema, mas saber explicá-lo na matéria de uma forma simples, mas completa.

Portal IMPRENSA - Você precisa estudar muito para fazer as matérias?
Samantha -
Sim, principalmente quando é a primeira vez que escrevo sobre um assunto. Normalmente primeiro eu pesquiso as abordagens que o tema já teve na mídia antes, e também busco ajuda de especialistas.

Portal IMPRENSA - Quais os assuntos mais difíceis de cobrir?
Samantha -
Não consigo pensar em um assunto mais difícil, há sempre certa dificuldade em abordar algo pela primeira vez. Mas não acho que economia seja uma área mais difícil de cobrir que outras. Sempre que se busca fazer uma matéria mais profunda, mais complexa, se encontrará dificuldade, independente da área.

Portal IMPRENSA - Você acha que às vezes o jornalismo econômico pode ser considerado "jornalismo elevador", com muitos números que sobem e descem, mas poucas explicações? Como  transmitir uma informação de uma maneira inteligível para um público leigo, sem perder a qualidade da informação?
Samantha -
Essa pergunta está de certa forma ligada à primeira. O papel do jornalista é usar os números como referência, e não como fato em si. Vou dar um exemplo atual, da inflação dos alimentos. Temos o IPCA subindo, mas o fato principal é que está mais caro comprar alimentos, isso é algo real. Na hora de fazer uma matéria é preciso buscar os motivos junto às empresas, ouvir personagens, e transformar os números em histórias. A internet é sempre uma ferramenta importante para pesquisa, mas é preciso saber filtrar as informações, buscar fontes confiáveis.

Portal IMPRENSA - Que conselho você daria para quem quer começar no jornalismo econômico?
Samantha -
Acho que essa é uma área hoje com várias possibilidades de atuação tanto para profissionais de redação como para assessores de imprensa. Com base na minha experiência, que também é de quem está começando, acho que é muito importante sempre tentar olhar a economia como um produto humano não como uma ciência exata. Isso ajuda a entender melhor a dinâmica das atividades econômicas e a dar cara ao "mercado", figura colocada à vezes como um agente em si.



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