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Publicado em: 09/04/2008 17:54
O paraense Luiz Braga foge do rótulo dos fotógrafos amazônicos

Por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA

Trata-se da velha história: incentivado pela família, que sempre teve apreço por fotografias, Luiz Braga ganhou a primeira câmera fotográfica com onze anos, de presente de um amigo de seu pai. Mas, por questões geográficas - ele é de belém do Pará - o menino curioso e interessado também teve que ser autodidata.

Luiz Braga

"Fui procurar o fotógrafo dos aniversários da família e pedir umas dicas pra ele, porque, para quem não conhece fotografia, a bula de um filme é pior que de remédio. Pedi o curso de foto do Instituto Universal Brasileiro e improvisei um laboratório no porão da minha casa. Abri um estúdio com 17, 18 anos, numa época que Belém era uma ilha. Revistas estrangeiras de foto chegavam na banca do aeroporto com seis meses de atraso, os livros eram muito simplórios".

Sair do Pará foi a solução encontrada por ele para saciar sua ânsia de aprender; justamente por não estar no eixo Rio-SP - em que as questões relacionadas à fotografia acontecem - o percurso em busca do conhecimento era maior. Nas semanas de foto da Funarte, que ocorriam nos anos 80, ele finalmente conseguiu informações mais substanciosas.

Luiz Braga

"Na época, em Belém, existiam retratos de qualidade, mas caretas na linguagem. O perfil do fotojornalista da cidade era aquele que acaba o expediente e vai encher a cara, eram jornalistas boêmios. Eu não me misturava, eu era um moleque filho de médico, no meio dos anos 70, durante o regime militar, quando o circuito de informações era muito restrito. Então engenheiros e médicos, por hobby, tinham um fotoclube. Eu era o moleque do fotoclube. Mas aquilo também não me saciou, fui aprendendo enquanto caminhava".

"Originalidade se conquista com o tempo", acredita Braga. "Fui conquistando meu espaço a medida que fui caminhando. Começei a expor em São Paulo em 84, com críticas favoráveis. Esse foi o início da minha carreira como fotógrafo autoral. Descobri a cor, e mostrei a Amazônia de uma maneira que ninguém esperava. O trabalho mais conhecido que eu faço é com a cor, mas a fotografia autoral foi se dando por etapas".

Luiz Braga

O reconhecimento veio quando ele ainda ganhava a vida como retratista, e fazia de publicidade. Pioneiro mais uma vez em sua cidade, em que as pessoas ou trabalhavam com fotógrafos de São Paulo, ou pediam que jornalistas locais fotografassem ensaios publicitários. "Eu comecei a brigar por direitos autorais, e difundi essas questões em Belém. Isso demarcou um espaço de respeitabilidade que é irrecuável", conta.

Divulgação
Luiz Braga

As andanças pelo mundo o fizeram perceber que a grande possibilidade de construir uma obra poderia estar debaixo de seus pés, à frente dos seus olhos. "Eu gosto do meu território. Mas meu trabalho é uma biografia íntima, interior. Não quero o rótulo dos fotógrafos amazônicos. Meu tesão não é a Amazônia, é a fotografia. Fotografia é uma coisa que quando pega realmente fascina".



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