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Casal de fotógrafos registra o universo pouco explorado das festas populares brasileiras
Por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA
Mostrar um Brasil desconhecido para os brasileiros e deixar um registro para as futuras gerações. Luciana Cattani e Gabriel Boeiras não imaginaram a importância da iniciativa que tiveram quando fundaram o projeto "Brasil em Festas".
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| Festa do bumba-meu-boi - São Luis - MA |
Casados, os dois já trabalham juntos há dez anos. Há três fizeram um curso de fotografia do Walter Firmo; Luciana trabalhava como fotógrafa em eventos e Gabriel em publicidade. Para desenvolverem o olhar em relação às cores, o professor sugeriu que os alunos viajassem para fotografar festas populares.
"Passamos a viajar juntos, e depois de três anos percebemos que tínhamos um projeto em mãos", conta Gabriel. Publiquei alguns trabalhos em revistas específicas, e depois de quatro anos lançamos dois livros. O primeiro, "Festas populares brasileiras", foi lançado pela Editora Manole em dezembro de 2005. Em 2006, pela Escrituras, editamos "Maravilhas do Brasil", e temos um banco de imagens. Por consequência deste que ocorreram todas publicações que fizemos, pois todas as viagens que fizemos sempre foram realizadas de maneira independente, sem um compromisso formal com alguma editora, portanto com total liberade para pesquisar e fotografar".
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| Cavalhadas - Pirenópolis - GO |
A divulgação das festas populares e da cultura brasileira, tão pouco exploradas, passou a ser o objetivo do projeto. "nosso trabalho tem uma aceitação bacana, mas a nossa proposta é mostrar o Brasil para os brasileiros, porque infelizmente nossa cultura tem mais saída para o público internacional que para o público interno", explica Gabriel. "No ano passado, levamos alguns trabalhos para França, e as pessoas ficaram maravilhadas com as cores".
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| Festival de Parintins - Boi-bumbá - AM |
Mais que um trabalho, o "Brasil em Festas" é um projeto de vida, que o casal pretende deixar como legado para as futuras gerações. Gabriel conta que o projeto tem uma boa aceitação, e que uma das propostas é "publicar as fotos em livros didáticos; nossa idéia é mostrar para crianças uma parte da cultura brasileira que poucos conhecem".
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Festa de São Benedito em Aparecida do Norte - SP
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"Temos que incentivar. As festas populares, na maioria das vezes, não têm incentivo de Prefeitura, de governo nenhum. Só as festas grandes, como o Carnaval". Gabriel dá como exemplo as Festa do Cavalo Marinho, em Pernambuco. "Vimos que estava terminando. Dois pesquisadores de São Paulo acabaram fazendo um projeto para incentivar antigos mestres a ensinar as crianças e não deixar a tradição morrer, e nós registramos tudo".
Outra festa que chamou muito a atenção deles é a festa de Iemanjá, em Salvador. "A gente sempre volta para os lugares que visitamos, e, cada vez que você retorna, tem um novo olhar, cada vez vai enxergar uma coisa diferente", afirma Gabriel. O casal foi pela primeira vez à festa de Iemanjá em 2005, e retornou esse ano. "O engraçado é que o dia de Iemanjá caiu no sábado de Carnaval, e tinha menos gente na praia, provavelmente porque estavam pulando o Carnaval", diz o fotógrafo.
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| Festa de Yemanjá - Salvador - BA |
Entretanto, ambos acreditam que o mais marcante é a relação com o povo brasileiro. Como quando precisam acordar às 4h em um vilarejo para conversar com um morador da região, que vai levá-los no melhor ponto do local para fotografarem a lua. "Muitas vezes é necessário madrugar para que possamos obter a melhor luz no período da manhã para nossas fotografias". Um trabalho desgastante, mas que traz uma gratificação sem preço. |