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"Procuro fazer fotos que informem e registrem", conta o fotógrafo Jean Lopes
Por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA
"Fui tomado pela fotografia". Assim Jean Lopes sintetiza a paixão pelo seu trabalho. Seu interesse pelas artes começou enquanto observava seu irmão, artista plástico. "Tinha o sonho de seguir a mesma carreira. Gostava de desenho, pintura. Mas fui tomado pela fotografia, graças ao fotojornalismo".
| Jean Lopes |
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| Garoto salta na Lagoa do Piató, em Assú/RN |
Os primeiros contatos com o jornalismo fotográfico foram através da revista Veja, na década de 80. Para Jean, a equipe que trabalhava com imagens na revista era muito boa na época, e isso despertou seu interesse pelo assunto.
"Lembro da edição especial de 20 anos da Veja, com uma foto de duas páginas do Sebastião Salgado, publicando um trabalho que ele fez sobre a África. Naquele momento percebi como uma foto podia mudar a vida das pessoas", lembra o fotógrafo.
| Jean Lopes |
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Praia de Ponta do Mel, Areia Branca/RN
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Jean Lopes nasceu em Assu, no Rio Grande do Norte, e fotografa desde 1992. "Não fiz nenhum curso, meu contato com a técnica foi através de publicações e fui aprendendo com a prática", conta. Desde então, ele tem atuado como freelancer em jornais do estado.
Ele sempre trabalhou na imprensa pequena; nunca fez trabalhos para a imprensa diária. Como o mercado fora do eixo Rio-SP costuma ser limitado, Jean sempre preocupou-se em investir em projetos pessoais.
| Jean Lopes |
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Cena registrada em Assú/RN
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"Aqui temos uma carência muito grande, não existe publicação. É frustrante ter um trabalho que você sabe que tem uma aceitação legal fora daqui e não ter como publicar. Além de não ter oferta de emprego, quem trabalha tem um salário que não compensa", explica. E completa: "Uma coisa boa é a possibilidade de ter contato pela internet, porque o mercado local é bem restrito".
| Jean Lopes |
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| Garotos jogam pelada em Porto Piató, Assú/RN |
E como Jean define sua obra? "Vou tomar emprestado as palavras do Salgado: a minha preocupação inicial não é a foto artística. Procuro fazer fotos que atendam a fatos documentais, que informem e registrem. Tenho toda uma preocupação na hora de conceber a foto, mas não tenho uma grande ilusão de que estou fazendo arte", diz, modesto.
Seu próximo projeto - mais uma prova de sua ligação com suas raízes - é a realização do documentário "Bravos", que mostrará pessoas que trabalham com a extração da cera de carnaúba - feita da mesma forma há 200 anos -, que só existe em três estados do Nordeste. |