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Publicado em: 11/07/2008 18:39
Eduardo Barcellos e a realidade retratada entre o fotojornalismo e a publicidade

Por Érika Valois/Redação Portal IMPRENSA

O paulistano Eduardo Barcellos, 52, trocou a arquitetura pela arte de fotografar e dedicou mais da metade da vida aos cliques de temas variados. Hoje, tem na fotografia coorporativa um de seus pontos fortes. Fotógrafo há 32 anos, ele diz que escolheu a profissão porque tem prazer em expressar, nessa linguagem, as impressões que tem das coisas.

 

Eduardo Barcellos

 

Barcellos conta que a paixão pela fotografia surgiu na época da faculdade, quando ele estudava na Universidade Mackenzie. Tudo começou quando ele se inscreveu em um curso livre de fotografia oferecido pela instituição. "Fiz o curso e me apaixonei pela possibilidade de selecionar fragmentos da realidade que sintetizam minha visão do mundo".

 

Eduardo Barcellos

 

Desde então, Eduardo nunca mais deixou olhar ao seu redor através das lentes de sua câmera. Na fotografia coorporativa, o que mais atrai o profissional é a liberdade de criação, já que não existem layouts fechados, mas conceitos que devem ser retratados. Ele explica que, no processo de criação, uma empresa escolhe o tema - um relatório anual, por exemplo - a partir disso, ele conversa com os gestores e escolhe lugares e situações que retratem aquilo que foi escolhido. "Vou a esses locais e crio imagens que representem isso. Pode ser uma geral de um ambiente agradável ou um detalhe de um sorriso", afirma.

 

Durante as sessões de fotografia, Barcellos diz que problemas como iluminação ruim e o fato de fotografar pessoas comuns - e não modelos - dificultam o trabalho, ao mesmo tempo em que o tornam mais instigante. "Justamente esses desafios é que tornam esse trabalho interessante", diz.

 

Eduardo Barcellos

 

Eduardo diz que a fotografia coorporativa é um meio termo entre o fotojornalismo e a fotografia publicitária. "Podemos dizer que a fotografia corporativa retrata a realidade de uma forma 'intermediária' entre o fotojornalismo e a publicidade. Você não retrata a realidade exatamente como ela se apresenta, como no fotojornalismo, mas também não produz totalmente a imagem de uma forma idealizada, como na publicidade. Trabalhamos a partir de um conceito definido pelo cliente, escolhemos as imagens dentro da empresa que expressem esses conceitos e então produzimos as cenas da melhor forma possível. Mas a imagem final tem que passar uma sensação de realidade, um momento que poderia realmente ter acontecido", explica.

 

Adepto à tecnologia ele diz que "só fotografa com digital". Para Barcellos, os avanços dos equipamentos facilitaram o ato de fotografar ao resolver questões técnicas básicas da captação de imagens. Com a melhoria das câmeras fotográficas, ele diz que "qualquer um é capaz de fotografar razoavelmente", mas ressalta que se "por um lado banaliza a fotografia, por outro deixa o fotógrafo livre para se concentrar em questões mais profundas como o conceito e linguagem de suas imagens".

 

Eduardo Barcellos

 

Além de trabalhar para empresas e companhias, o fotógrafo mantém projetos pessoais como o "Imagens da Paz" , idealizado por ele. Trata-se de um banco de fotos online que refletem imagens positivas e conceitos ligados à paz, expressando o que o ser humano tem de melhor. Barcellos conta que a idéia surgiu depois que ele entrou em contato com duas iniciativas que questionam os impactos das mensagens negativas veiculadas pela mídia e como os agentes que produzem esses conteúdos podem atuar no sentido de modificar isso. "A partir do questionamento de como, sendo fotógrafo, colaborar com esse movimento, surgiu a idéia do 'Imagens da Paz'", conta.

 

Experiente, Barcellos dá dicas aos novatos que querem se aventurar pelo universo da fotografia e diz que a primeira coisa a ser feita por "qualquer um que queira ser fotógrafo é fotografar muito". Além disso, o paulistano diz que é preciso "educar o olhar", ampliando o que ele chama de "cultura visual", freqüentando exposições de arte, cinema, espetáculos e lendo livros. "Especificamente para a fotografia coorporativa, é muito importante compreender como diferentes fontes de luz se comportam em diferentes situações, e como tirar partido disso ao fotografar. Ser assistente de alguém que tenha um trabalho consistente nessa especialidade também é um bom atalho", completa.

 



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