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O fotógrafo Julio Menezes usa o texto literário como mais um instrumento de trabalho
Por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA
O fotógrafo Julio Menezes resolveu tomar o caminho inverso da maioria dos jornalistas - que se arriscam na fotografia, parte indispensável do jornalismo. Ele acaba de lançar seu primeiro romance, "Gasolina", pela editora Porto de Idéias.
Não é a primeira vez que ele faz uso da arte das palavras em vez das imagens; já publicou algumas crônicas e contos. Como sua mãe era dona de livraria, cultivou o hábito de escrever nas horas vagas. Mas como conceber trabalhos tão diferenciados, e se expressar através de instrumentos tão diferentes?
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"O processo criativo literário é bem diferente do fotográfico e isso é que é o legal da história. Sinto como se fossem complementares, quer dizer, não me sinto totalmente pleno criando em apenas uma dessas artes, curto fazer as duas coisas e me sinto a vontade em ambas", afirma o fotógrafo.
Julio começou cedo na fotografia; aos 17 anos, quando havia acabado de fazer um curso, conheceu a fotógrafa Dulce Carneiro, e acabou sendo seu assistente por anos. "Naquela época era assim, a gente fazia assistência durante três, quatro, cinco anos. Quando partíamos pra carreira solo estávamos super preparados tecnicamente", explica o fotógrafo, que ainda trabalhou como assistente de outros profissionais aqui no Brasil e na Itália.
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Ele acredita que trabalho autoral pode e deve ser separado do profissional "sempre que a profissão impedir o livre desenvolvimento do processo artístico". Julio trabalha atualmente com publicidade e faz alguns trabalho editoriais para revistas, "que funcionam pra aquecer a munheca e fazer o nome circular". Além disso, fotografa para segmento de arquitetura e decoração e faz fotos corporativas, e recentemente dirigiu algumas fotografias para filmes publicitários.
"Na publicidade quase sempre trabalhamos muito engessados, numa camisa de força, algo assim. Normalmente temos que cumprir uma lista protocolar enorme e que vem antes de toda e qualquer boa intenção do fotógrafo. Já a fotografia autoral é nosso oxigênio; um copo d'água num maldito deserto. Com certeza ela sai muito mais fácil, além de ser bem mais prazerosa, creio eu".
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Sobre o advento das novas tecnologias, Julio afirma que a fotografia foi uma das mais atingidas pela informática; tudo mudou muito e num curto espaço de tempo, "desde a maneira como o trabalho chega ao fotógrafo até a forma como ele é executado, passando pela questão do prazo e redução dos cachês".
Segundo ele, a maioria dos fotógrafos ainda está tentando entender "quanto a fotografia profissional mudou e ainda está mudando. De uma coisa nós sabemos, o salário já não é o mesmo e o trabalho está mais escasso. Hoje um fotógrafo se forma em menos tempo que há dez ou quinze anos. Os equipamentos são inteligentes e já não parece tão necessária aquela técnica tão apurada. No entanto, sempre haverá espaço para talento e determinação", diz Julio.
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Além de circular entre a fotografia e o texto, o fotógrafo pode ter seu trabalho abordado por mais uma forma de linguagem: o cinema. O diretor Gustavo Leme, da Delicatessen Filmes, quer filmar "Gasolina". Seria mais ou menos um roadmovie, como sugere o romance, que tem narrativa acelerada e com boa parte da história ocorrendo na estrada.
"O cinema é tão fotográfico quanto literário, ele se acomoda entre o roteiro e a imagem. Neste sentido, ele surge como instrumento perfeito para acolher as duas formas que escolhi para me expressar: fotografia e literatura. Estou adorando tudo isso", completa o fotógrafo-escritor. |