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No Atacama ou no Camboja, fotógrafo João Paulo Barbosa faz da liberdade um estilo de vida
Por Eduardo Neco/Redação Portal IMPRENSA
O fotógrafo João Paulo Barbosa gosta de fotos difíceis. Essa informação justifica a maioria de seus trabalhos e impulsiona o profissional a escalar montanhas, cruzar rios na América do Sul, acordar às três horas da manhã, viajar duas horas de jipe, além de agüentar um frio de menos 26 graus. Tudo isso para registrar, por exemplo, a erupção de um gêiser em meio ao gigantesco deserto do Atacama, no Chile.
| João Paulo Barbosa |
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Barbosa, que na verdade é formado em História, desconversa e diz que não tem estilo pré-estabelecido quando clica. Busca fotografar o que "dá vontade", mas sempre carrega consigo quilos de corda e, vez ou outra, dá as caras pros lados do Camboja, Indonésia, Equador, Chile. A falta de pretensão na fala do fotógrafo contradiz o destino de suas viagens, ao passo que reforça a impressão que se tem ao olhar uma de suas fotos: "Ele não chegou a esse lugar por acaso".
| João Paulo Barbosa |
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No entanto, o fotógrafo confessa que, por mais belas que sejam as paisagens longínquas e o enquadramento em lugares inóspitos, a jornada que o leva ao resultado final, acaba por lhe cansar em demasia. "Fotografar lugares de difícil acesso é muito desafiador, mas chega uma hora que cansa. Então é a hora de fotografar os lugares de fácil acesso, mas com a energia parecida com a que tenho quando estou em lugares isolados".
| João Paulo Barbosa |
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Enquadramentos grandiosos que suplantam o ego do mais convencido dos homens. Qualquer um que se aprofunde nas imagens de Barbosa acaba por se sentir pequeno, bem miúdo, do tamanho exato de sua significância diante da natureza. Essa impressão de ser efêmero diante de paisagens incomensuráveis, foi uma das maiores lições tiradas pelo fotógrafo de suas expedições pelo mundo. "A fotografia trouxe mais liberdade ao meu estilo de vida, mais desprendimento e ao mesmo tempo compromisso com os sonhos. Fotografar me ensina a ser humilde e a respeitar tudo. A ter compaixão e a dividir. Penso que respeitar o outro antes de tudo, antes de clicar".
| João Paulo Barbosa |
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Para ele, todo lugar é o certo para fotografar. Barbosa não cita preferências, mas aponta para um detalhe: sente-se mais confortável quando pode empunhar sua máquina sem precisar de luvas. Lembra também que nunca se machucou fotografando - por mais que o grau de dificuldade de suas fotos coloque em xeque essa informação - mas relata que tombos de moto na Indonésia e batidas da enérgica polícia colombiana, acrescentam à viagem a dose de inconvenientes que toda grande aventura precisa ter. Além disso, como é de praxe com fotógrafos que correm o mundo, João teve seu equipamento roubado em algumas ocasiões.
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O mercado conhece o trabalho de Barbosa, mas não como deveria. Por esse anonimato incômodo, acaba por ter de fazer outros tipos de trabalhos. Assim, vez em outra, faz fotos publicitárias e jornalísticas. "Posso fazer foto publicitária e fotojornalismo, sim. Mas prefiro investir nos meus projetos pessoais. Todas as minhas fotos estão à venda. Tanto para editoriais, quanto para particulares. Mas como não sou tão conhecido, nem sempre a maré está como deveria".
Quem deseja conhecer um pouco do trabalho do fotógrafo João Paulo Barbosa, deve acessar o site PicturaPixel, que expõe a obra de tantos outros fotógrafos com técnicas peculiares e pautas incomuns. |