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Dupla de fotógrafos dispensa tecnologia e resgata técnica artesanal de fotografia
Por Eduardo Neco/Redação Portal IMPRENSA
Não há dúvidas:o avanço tecnológico democratizou a fotografia exatamente na mesma proporção em que tornou sua produção banal. Hoje, a disseminação das câmeras digitais acaba por desvalorizar o trabalho profissional, mas não é capaz de estancar ousadia e criatividade, características que, por fim, diferenciam o clique profissional de um olhar amador.
| Denise Helfenstein e Gustavo Diehl |
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Mesmo em meio às vantagens de se abraçar o advento da tecnologia fotógrafica, Denise Helfenstein e Gustavo Diehl fazem o caminho inverso e resgatam uma técnica artesanal de captação de imagens. A pinhole (buraco de alfinete, em livre tradução) utiliza apenas uma caixa lacrada que contém um filme que captura imagens assim que um orifício minúsculo é aberto e permite então a entrada da luz que "queima" o negativo e faz a foto.
A partir do uso da pinhole nasceu o ensaio "Fragmentos", que, na verdade, é a junção de trabalhos da dupla. Denise trouxe o nu, a sinceridade dos corpos sem roupa; Gustavo a ideia do pinhole, que mais tarde seria amplamente desenvolvida pelos dois.
| Denise Helfenstein e Gustavo Diehl |
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O processo de aprimoramento da técnica, segundo Gustavo, durou mais de três anos e demandou muito estudo e paciência. "A gente acertou muito nas primeiras, mas depois tudo começou a complicar. Mas pelo menos a gente tinha a certeza que poderia fazer aquele tipo de foto, por mais que fosse difícil", explicou.
Os que observam o ensaio percebem de pronto profundidade e melancolia ou, em proporções menores, agonia e leveza. No entanto, segundo Gustavo, não havia qualquer intenção ao capturar as imagens, o "sentimento que se desprende de cada fotografia é próprio de quem a vê".
| Denise Helfenstein e Gustavo Diehl |
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Ao prestar atenção nos detalhes das fotos, ainda que borrados e enegrecidos, é possível entender a opção pela ausência de roupas. Certamente, esconderiam o que há de sincero nas imagens, tornando-as "sujas" e "corriqueiras", impressão essa confirmada por Gustavo. "A roupa atrapalharia. Fica mais legal visualmente; a roupa suja muito, contamina. São elementos demais na foto. Então, a junção de pouca luz e a falta de roupas deu unidade ao trabalho", explica.
A seleção dos fotografados era aleatória. Todos os que apareciam no estúdio de Denise e Gustavo, montado em casa, eram convidados a se despir e posar por alguns minutos, até que a imagem fosse feita. "Muitos amigos posaram. Gente da família também se dispôs a ajudar. Avôs, avós, tios...", revelou.
| Denise Helfenstein e Gustavo Diehl |
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O pionerismo às avessas de Denise Helfenstein e Gustavo Diehl lhes rendeu uma bolsa de um dos mais renomados prêmios de fotografia do estado do Rio Grande do Sul, o Prêmio Casa de Cultura Mário Quintana (antigo Prêmio Gaúcho de Fotografia). Com o dinheiro do fundo, a dupla pode divulgar seu ensaio através de exposições.
Denise continua utilizando a técnica, que serve de guia em uma tese de mestrado. Gustavo confessa não ter preferências e diz, ainda, ser impossível comparar fotografias produzidas com câmeras ditas "normais" e a pinhole.
Clique aqui para conhecer o trabalho de Denise Helfenstein e Gustavo Diehl
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