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Portal Imprensa » Ponto de Vista
Publicado em: 26/08/2009 18:38
"O que vale a pena é ver alguém folhear uma revista ou jornal com foto feita por você", diz Orlando Brito

Por Thiago Rosa/Redação Portal IMPRENSA

A cobertura fotojornalística em Brasília (DF) se intensificou praticamente de forma conjunta à trajetória profissional do fotógrafo Orlando Brito. Nascido no município mineiro de Janaúba, em 1950, começou a trabalhar no extinto jornal Última Hora em 1965, cinco anos depois de Juscelino Kubtschek ter inaugurado a nova capital federal. Ex-editor de fotografia de O Globo e Jornal do Brasil, e autor de 113 capas da revista Veja, Brito soma mais de quatro décadas de experiência na fotografia, coroados por dezenas de prêmios nacionais e internacionais.

Orlando Brito

Brito começou sua carreira no veículo dirigido pelo falecido jornalista Samuel Wainer. Mais do que o gosto pelas lentes e filmes fotográficos, o apreço pela informação sempre compôs sua identidade. "Tudo que era notícia me chamava à atenção", ressaltou.

Orlando Brito
Presidente Geisel

Nas quatro décadas seguintes, permeou as capas de revistas e jornais do país com imagens marcantes, nacionais e internacionais. No Jornalismo atuou como editor nos veículos O Globo, Última Hora e JB. Já na Veja, foi autor de 113 capas, o que fez com que atribuísse maior identidade à revista. "Todo lugar é marcante. A Veja era um lugar muito singular. Até pela época, com as eleições do Collor, a democracia...", recordou Brito, sobre a época em que trabalhou na revista de maior circulação do país, entre 1982 a 1998.

Orlando Brito

Com a bagagem adquirida com a cobertura da política nacional, que incluem a ditadura militar, redemocratização, eleições diretas, Brito defende a tese da subjetividade na cobertura fotojornalística, assim como nas reportagens da imprensa. "Imparcialidade não há mais. O fotógrafo encontra o fato que já existe interferência. Você está lidando com o fato. Isto já é uma interferência".

Orlando Brito
Ulisses Guimaraes

Entre coberturas políticas e de fatos jornalísticos em geral, além de histórias, Brito acumulou prêmios. Foi o primeiro brasileiro a ganhar o World Press Photo do Museu Van Gogh, em Amsterdã, em 1979, além de ter sido condecorado 11 vezes pelo Prêmio Abril de Fotografia. Mesmo com o reconhecimento no setor, o fotógrafo afirma buscar valorização na popularização de suas imagens. "O que vale a pena é você entrar em um avião e alguém folhear uma revista ou jornal com foto sua."

Hoje, após décadas de trabalho como funcionário, assumiu a posição de empresário. É sócio-proprietário da OBrito News, agência de conteúdo informativo e fotojornalístico ligada aos fatos da economia e política nacional. Com a perspectiva da publicação de livros de sua autoria e a afirmativa de que não abandonará o mercado fotográfico, Brito continua no desempenho do que sempre o ocupou. "Mostrar aos ausentes, em imagens, fatos que aconteceram".

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