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Portal Imprensa » Ponto de Vista
Publicado em: 09/09/2009 18:36
Em trabalho autoral, fotógrafo Leo Drumond registra as diferenças do "país" Minas Gerais

Por Eduardo Neco/Redação Portal IMPRENSA

Quem vê o resultado final do ensaio "Beira de Estrada", do fotógrafo Leo Drumond, que percorreu milhares de quilômetros pelas estradas de Minas Gerais, tem uma vaga ideia sobre a dificuldade da tarefa. A imensa disposição física e de espírito necessária para realizar o trabalho só pôde ser utilizada, de fato, após um longo processo de estudo sobre o assunto. Conseguir apoio governamental e tornar o material resultante algo comercialmente viável requereu energia e paciência em demasia do profissional para que então se pudesse chegar a parte prazerosa: fotografar.

Leo Drumond
Beira de Estrada

Com o projeto em mãos, Drumond requisitou "ajuda" junto da Secretaria de Cultura do Estado de Minas Gerais, que se configura em mero abatimento fiscal do ICMS para a iniciativa privada que aceitou patrocinar o "Beira de Estrada". Depois de três tentativas, o trabalho foi aprovado. "Mas a empresa patrocinadora só pode ter renúncia de 80% do valor do projeto, o resto deve vir de recursos próprios da mesma. Pra facilitar a vida das empresas, elas podem dar os 20% em serviços, materiais, produtos, cessão de espaço etc", explica o fotógrafo.

Do nascimento da ideia ao momento de pôr as malas no carro, se passaram três anos. A persistência ante aos entraves burocráticos levou o fotógrafo a um "micro-país, com diferenças socais e geográficas imensas," escondido dentro do Brasil. "Não pude deixar de me entristecer com o estado lamentável das cidades, pois as construções recentes são, na maioria das vezes, caixotes horrorosos. Vi também muitos animais mortos, edificações abandonadas e uma miséria sem fim, mas em contraponto conheci lugares incríveis e pessoas maravilhosas. E foi uma sensação indescritível percorrer todos os cantos do Estado [de Minas Gerais]", conta Drumond.

Leo Drumond
Beira de Estrada

O fotógrafo justifica o empenho em realizar o "Beira de Estrada" com a "necessidade de expressão aliada às infinitas possibilidades da linguagem fotográfica". Sua motivação provém, sobretudo, do desejo de fotografar pelo simples prazer do registro de imagens sem que perspectivas comerciais guiem a lente de sua câmera. "Sempre quis fotografar uma coisa simplesmente porque eu queria, e não porque era um trabalho encomendado por alguém. Minha passagem por jornal me despertou o gosto pela documentação, e sabia que era por aí o meu caminho na fotografia autoral. Eu queria me expressar como fotógrafo, mas que o meu trabalho também tivesse uma informação, um conteúdo".

Leo Drumond
Beira de Estrada

"Ter tempo de sentar e analisar o material, refletir sobre ele e iniciar uma nova viagem com as reflexões da viagem anterior. Fazer exposições, publicar várias matérias e finalmente editar um livro. Ter um material que você olha com orgulho, um orgulho que não pode nem ser comparado com a melhor foto já feita para um cliente. Aí, as águas se dividem", se refere Drumond à importância do "Beira de Estrada" em sua formação como fotógrafo.

Leo Drumond
Beira de Estrada

Quando concedeu esta entrevista ao Portal IMPRENSA, Drumond estava na cidade baiana de Paulo Afonso, no décimo primeiro dia da pesquisa de campo de seu novo trabalho, "Os Chicos", idealizado por seu colega e parceiro Gustavo Nolasco. A iniciativa nasceu em 2007 quando Nolasco o convidou a percorrer o Rio São Francisco fotografando os "Chicos e Chicas". "Nosso objetivo é traçar um panorama atual sobre o rio através das pessoas que tem uma relação direta com ele".

Leo Drumond
Beira de Estrada

Segundo ele, as dificuldades são praticamente as mesmas, o que justifica o fato do lançamento do livro de apresentação do trabalho estar previsto só para o primeiro semestre de 2010. No entanto, se os desafios são os mesmos e a gana de Drumond faz-se necessária, decerto que o resultado de "Os Chicos" conseguirá, a exemplo de "Beira de Estrada" dividir as águas de sua vida mais uma vez.

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