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"No exaltar dos ânimos, o que vale é a neutralidade", diz Luciano Amarante sobre o hardnews
Por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA
Fotos de políticos, reintegrações de posse em favelas, treinos de futebol, ensaios de moda. O fotógrafo Luciano Amarante está acostumado a transitar por todos esses mundos, e acredita que esta é uma característica das redações atuais, cada vez mais enxutas. "Como há cada vez menos profissionais, não dá pra se especializar em um segmento. Isso é que faz a diversificação de um fotojornalista necessária", diz.
| Luciano Amarante |
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Apesar de fazer bem todos estes tipos de fotos, é no hardnews que ele se realiza. "Acho que o flagrante é a preferência de todo repórter fotográfico. Para mim, o jornalismo diário não é só comercialização. Ele reúne imagem, cultura, informação e sentimento".
| Luciano Amarante |
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Apaixonado por São Paulo, o que mais motiva Amarante é "essa bomba" que é a cidade, essa "incógnita que é São Paulo". "Você sai de casa sem saber que tipo de pauta pode aparecer, que imagem você vai registrar, com a expectativa de que algo aconteça". Para ele, o que diferencia os repórteres fotográficos hoje é oportunidade. "É como na guerra, todo mundo tem o mesmo equipamento, mas você se diferencia pela maneira que vai usar seu potencial de fogo", afirma.
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Uma das vezes que Amarante esteve nessa situação foi na reintegração de posse da favela Real Parque, em 2007. Na época, o fotógrafo estava no jornal Agora, e seus registros acabaram na primeira página do veículo. A foto mostra uma mãe protegendo a filha dos ataques de bomba de efeito moral e balas de borracha.
"No exaltar dos ânimos, o que vale é a neutralidade", acredita o fotógrafo. "A partir do momento que você escolhe um lado, você já perdeu o outro", diz. E o medo de fazer esse tipo de cobertura? "O que existe é o medo de ficar sem emprego ou levar um furo da concorrência".
| Luciano Amarante |
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Todo dia, para Amarante, é uma luta constante. "Quero correr atrás de uma obra, deixar algo para a posteridade. E nas grandes mídias é complicado, porque a partir do momento que você entra em um veículo, tem que ser nulo. A hierarquia é imposta, e não concordo, pois qcredito que o valor de cada um deve ser mostrado".
Atualmente no Metro News, o fotógrafo conquistou seu espaço já no segundo dia de trabalho, quando registrou o exato momento em que um urubu se chocou contra a turbina de um avião. "Foi uma felicidade total, queria mostrar serviço, e na época haviam muitos acidentes desse tipo. Pedi pro motorista do jornal jogar uma pedra pra eles alçarem voo. Quando estamos afinados fisicamente, cosmicamente, e damos sorte, a foto fica fantástica". |