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Publicado em: 04/11/2009 17:07
"No exaltar dos ânimos, o que vale é a neutralidade", diz Luciano Amarante sobre o hardnews

Por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA

Fotos de políticos, reintegrações de posse em favelas, treinos de futebol, ensaios de moda. O fotógrafo Luciano Amarante está acostumado a transitar por todos esses mundos, e acredita que esta é uma característica das redações atuais, cada vez mais enxutas. "Como há cada vez menos profissionais, não dá pra se especializar em um segmento. Isso é que faz a diversificação de um fotojornalista necessária", diz.

Luciano Amarante

Apesar de fazer bem todos estes tipos de fotos, é no hardnews que ele se realiza. "Acho que o flagrante é a preferência de todo repórter fotográfico. Para mim, o jornalismo diário não é só comercialização. Ele reúne imagem, cultura, informação e sentimento".

Luciano Amarante

Apaixonado por São Paulo, o que mais motiva Amarante é "essa bomba" que é a cidade, essa "incógnita que é São Paulo". "Você sai de casa sem saber que tipo de pauta pode aparecer, que imagem você vai registrar, com a expectativa de que algo aconteça". Para ele, o que diferencia os repórteres fotográficos hoje é oportunidade. "É como na guerra, todo mundo tem o mesmo equipamento, mas você se diferencia pela maneira que vai usar seu potencial de fogo", afirma.

Luciano Amarante

Uma das vezes que Amarante esteve nessa situação foi na reintegração de posse da favela Real Parque, em 2007. Na época, o fotógrafo estava no jornal Agora, e seus registros acabaram na primeira página do veículo. A foto mostra uma mãe protegendo a filha dos ataques de bomba de efeito moral e balas de borracha.

"No exaltar dos ânimos, o que vale é a neutralidade", acredita o fotógrafo. "A partir do momento que você escolhe um lado, você já perdeu o outro", diz. E o medo de fazer esse tipo de cobertura? "O que existe é o medo de ficar sem emprego ou levar um furo da concorrência".

Luciano Amarante

Todo dia, para Amarante, é uma luta constante. "Quero correr atrás de uma obra, deixar algo para a posteridade. E nas grandes mídias é complicado, porque a partir do momento que você entra em um veículo, tem que ser nulo. A hierarquia é imposta, e não concordo, pois qcredito que o valor de cada um deve ser mostrado". 

Atualmente no Metro News, o fotógrafo conquistou seu espaço já no segundo dia de trabalho, quando registrou o exato momento em que um urubu se chocou contra a turbina de um avião. "Foi uma felicidade total, queria mostrar serviço, e na época haviam muitos acidentes desse tipo. Pedi pro motorista do jornal jogar uma pedra pra eles alçarem voo. Quando estamos afinados fisicamente, cosmicamente, e damos sorte, a foto fica fantástica".



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