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Publicado em: 12/02/2009 17:48
Para ABI, "o trabalho dos jornalistas não pode ser submetido a qualquer controle"

Por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA

Divulgação
Maurício Azêdo
"O trabalho dos jornalistas se exerce no plano das idéias e da circulação de informações e opiniões, e por isso não pode ser submetido a qualquer controle". Assim Maurício Azêdo, presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), se posiciona em relação a um Conselho de Imprensa.

Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Azêdo define o posicionamento da ABI - um dos órgãos mais importantes da imprensa brasileira - em relação a temas pertinentes para o ano de 2009, como Lei de Imprensa, obrigatoriedade do diploma e reforma sindical.

Segundo ele, "a ABI não tem reivindicação específica a fazer em 2009, pois sua atuação se trava no plano da defesa da liberdade de imprensa e dos direitos humanos, e não em pleitos determinados. Ela manterá as posições que marcam a sua trajetória desde a fundação, expressas na divisa com que celebra seu centenário: 'ABI: 100 anos de luta pela liberdade'".

Portal IMPRENSA - Quais são as principais pautas de reivindicação da ABI para o ano de 2009?
Maurício Azêdo -
A ABI não tem reivindicação específica a fazer em 2009, pois sua atuação se trava no plano da defesa da liberdade de imprensa e dos direitos humanos, e não em pleitos determinados. Em relação a essas questões ela manterá as posições que marcam a sua trajetória desde a fundação, expressas na divisa com que celebra seu centenário: "ABI: 100 anos de luta pela liberdade".

IMPRENSA - Como a entidade se posiciona em relação à luta pela obrigatoriedade do diploma? 
Azêdo -
A ABI não defende a obrigatoriedade do diploma, que pode ser apenas um papel na parede, como a Itabira do poema de Carlos Drummond de Andrade. O que ela defende é a formação do jornalista em nível superior, o que torna o diploma em si mero pormenor. Há forças poderosas contrarias à habilitação dos jornalistas em nível universitário. Por isso a questão se manterá na ordem do dia por bom tempo, até que o Supremo Tribunal Federal decida sobre o recurso contra a decisão da juíza federal de São Paulo, que franqueou o acesso à produção jornalística sem a qualificação que a ABI e as associações de jornalistas, entre as quais a Federação Nacional dos Jornalistas, consideram indispensável para um jornalismo competente e ético.

IMPRENSA - O que a ABI acha de criação de um Conselho de Imprensa? 
Azêdo -
Um conselho de comunicação para a área de jornalismo constitui limitação ao exercício da liberdade de informação e de opinião. O trabalho dos jornalistas se exerce no plano das idéias e da circulação de informações e opiniões, e por isso não pode ser submetido a qualquer controle, sem sacrifício da responsabilidade no exercício da profissão.

IMPRENSA - A ABI defende uma nova Lei de imprensa?
Azêdo -
A ABI considera que a atual Lei de Imprensa, objeto de Argüição de Descumprimento de Preceito Constitucional em tramitação no Supremo Tribunal Federal, deve ser substituída por uma Lei do Direito de Informação, que proteja o exercício pleno da liberdade de imprensa.

IMPRENSA - Na sua opinião, a reforma sindical tende a fortalecer ou enfraquecer os sindicatos de Jornalistas?
Azêdo -
Não temos notícia de que esteja em cogitação uma reforma sindical. Se se cogitar dela, deve ser para assegurar a plena liberdade de organização sindical não apenas dos jornalistas, mas dos assalariados em geral.

IMPRENSA - Haverá eleições para a representação da ABI em São Paulo neste ano?
Azêdo -
A ABI realiza uma eleição em todo mês de abril para eleição do seu Conselho Deliberativo, constituído por 45 membros efetivos e 45 suplentes. A cada ano é eleito um terço do Conselho (15 efetivos e 15 suplentes), para um mandato de três anos. Essa eleição é programada estatutariamente para a última sexta-feira de abril, mês do aniversário da Casa. A eleição para a Diretoria será em abril de 2010, para um mandato também de três anos.

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