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Publicado em: 09/04/2009 17:55
Individualismo dos jornalistas prejudica as conquistas profissionais, diz sindicato gaúcho

Por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA

Com cerca de 9 mil jornalistas filiados, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul não pretende reivindicar este ano um aumento salarial para os profissionais. Não que não seja necessário, explica o presidente José Maria Rodrigues Nunes, mas por conta de um acordo coletivo de aumento salarial firmado no ano passado, que tem duração de dois anos.

Marcio de Almeida Bueno  
José Maria Rodrigues Nunes
"Nossa maior demanda diz respeito à regulamentação da profissão e à obrigatoriedade do diploma", explica. "Nossa luta é no sentido de valorizar a profissão e conscientizar a categoria. Acreditamos que os jornalistas do Brasil vem perdendo a consciência da importância deles como classe, e isso é muito ruim. Em função do individualismo perdemos muitas batalhas", afirma Nunes.

Portal IMPRENSA - Qual é o piso salarial do Estado? o Sindicato considera ele razoável ou prepara alguma reivindicação para este ano?
José Maria Rodrigues Nunes -
O piso na capital é de R$ 1.314,00, e do interior do estado R$ 1.087,00. É um valor bem abaixo do que deveria ser, mas em função do que se tem obtido nacionalmente não podemos considerar que está entre os piores. Estamos entre os oito ou dez melhores pisos do Brasil. E aqui a lei se aplica, ninguém pode ganhar abaixo do piso, além de muitas empresas pagarem acima. É claro que pelo o que o jornalista trabalha, acreditamos que deveria ganhar mais. No entanto, não temos essa reivindicação para este ano, porque fizemos um acordo coletivo no ano passado que vale pelos próximos dois anos. Em 2009 só vamos repor a inflação.

IMPRENSA - E quais são então as reivindicações para este ano?
Nunes -
Nossa maior demanda diz respeito à regulamentação da profissão e à obrigatoriedade do diploma. No ano passado visitamos redações e continuaremos fazendo as visitas este ano. Nossa luta é no sentido de valorizar a profissão e conscientizar a categoria. Acreditamos que os jornalistas do Brasil vem perdendo a consciência da importância deles como classe, e isso é muito ruim. Em função do individualismo perdemos muitas batalhas. É preciso entender e se reconhecer como profissional da categoria.

IMPRENSA - O Sindicato acha que a reforma sindical fortalece ou enfraquece a categoria no Rio Grande do Sul?
Nunes -
Eu entendo que o sindicato estadual tem capacidade de representar a categoria. Em 2003 recuperamos, por exemplo, um piso defasado em Passo Fundo. Os jornalistas da cidade passaram a ganhar o piso do interior, e isso mostra que não é bom para a categoria a criação de mais sindicatos, que nós somos capazes de lutar pelas causas do Rio Grande do Sul. Se com um sindicato unificado e forte já é difícil negociar com os empregadores, imagina com mais de um.

IMPRENSA - E como vocês se posicionam em relação à suspensão e a votação no Supremo Tribunal Federal sobre a atual Lei de Imprensa?
Nunes -
Nossa posição é a mesma da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas). É necessário uma lei de imprensa por conta da especificidade da nossa profissão. O Brasil não pode ficar sem regulamentação, regido apenas pelos Códigos Civil e Penal, mas não essa lei que está posta atualmente, que é um resquício da ditadura. 



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