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Publicado em: 28/03/2008 18:08
Para o cartunista Mattias, o perfil dos políticos no Brasil "nos proporciona piadas o tempo todo"

Por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA

Apesar de já gostar de desenhar desde pequeno, foi no serviço militar, lugar inusitado, que João Carlos Mattias do Nascimento reconheceu o cartum como profissão. "Consegui algumas punições por retratar alguns companheiros de caserna em situações inusitadas. Dois oficiais sugeriram então que eu abrisse mão da carreira militar e apostasse no desenho de humor. Foi aí que, pela primeira vez, descobri a possibilidade de ser reconhecido através do cartum".

Mattias
Chico Buarque

O cartunista teve um início meteórico de carreira: logo no primeiro ano de profissão, em 1993, ganhou o badalado "Salão Carioca de Humor", Em 1994, o cartunista Gil o convidou para cobrir suas férias no jornal O Dia: "foi onde conheci todo o processo da ilustração editorial e pude ter contato com profissionais que até então me parecia impossível chegar perto".

Mattias, que sempre teve colegas de profissão como fonte de inspiração, colecionava as charges do cartunista Ique, publicadas no Jornal do Brasil e em vários jornais Pasquim, considerado a grande porta para os cartunistas, e lembra com admiração o encontro com o ídolo: "em 1998, o cartunista Mário Alberto indicou meu trabalho para o editor de artes do jornal Lance. Fiz a ilustração e fui debaixo de um temporal entregá-la na redação. Eu, molhado até à alma, mas a ilustração seca e pronta".

Mattias
Violência carioca

O fato o credenciou a fazer inúmeros trabalhos para o jornal. "Não bastasse a honra de trabalhar ao lado do Mário, tive a honra e o prazer de dividir mesa com o Ique. Meu maior ídolo estava ali, como companheiro de redação. Em homenagem ao Ique, que se chama Victor Henrique, dei à minha filha o nome de Victória", conta Mattias.

No dia-a-dia, "absolutamente tudo se torna fonte de inspiração". Ele diz que está sempre acompanhado de um bloco de anotações. "Mesmo dentro de casa, sou surpreendido por algo que ouvi ou vi, e então há um 'flash' de criação. Assim a idéia é rabiscada no bloco para que não se perca. Sem falar que o Brasil, pelo perfil de seus políticos é um circo que nos proporciona piadas o tempo todo".

Mattias
Woody Alen

Sobre as novas tecnologias, Mattias não acha que elas atrapalhem. Lembra que em 1995, quando alguns artistas começavam a falar de ilustração digital, foi premiado no "Salão Carioca" com uma charge toda elaborada no CorelDraw. E em 1997, ganhou o primeiro lugar no "Salão Nacional de Humor de Volta Redonda" com uma história em quadrinhos, elaborada com três páginas, todas feitas no CorelDraw e no Photoshop.

"Temos artistas fenomenais que dominam a arte digital, e que já demonstraram inúmeras vezes o domínio do traço. O problema não são estes artistas, que utilizam o computador como mais uma ferramenta, mas aqueles que manipulam uma foto através de filtros e concorrem com os que realmente estudam a imagem, rabiscam , aplicam distorção e ficam horas trabalhando para dar à ela identidade, mesmo que digital", explica o cartunista.

Mattias
Primeiro trabalho

Para ele, o melohr trabalho de sua vida "será sempre o próximo. Porque tenho certeza que o anterior poderia ter sido melhor". Após ter sido convidado para receber uma homenagem na Bélgica, decidiu fundar um projeto que pudesse dar às pessoas condições de crescimento e inserção sócio-cultural através do desenho de humor, o "Sorrialengo", que, coordenado pelos cartunistas Ray Costa e Guima, já rendeu inúmeros prêmios.



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