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Publicado em: 25/06/2008 14:06
Para o cartunista Adam Rabello, a charge "é a linguagem do povo"

Por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA

Para Adam Rabello, desenhar sempre foi um ato diário e prazeroso. Incentivado por seus pais, que compravam para ele e para seus irmãos materiais de desenho, seu contato com as artes começou bem cedo. "Eu era péssimo em quase todas as matérias da escola, mas me destacava muito em educação artística", conta.

O passo definitivo para se tornar um caricaturista profissional aconteceu no terceiro ano do colegial: "eu fazia a caricatura dos professores e alunos mesmo sem conhecer nada do universo do desenho de humor. Logo que terminei o colégio li no jornal a notícia de que estava sendo inaugurado o primeiro curso de nível superior com formação em artes visuais do Brasil", lembra Adam.

Adam Rabello
Chico César

"Não pensei duas vezes e me matriculei. Foram quatro anos de muita dedicação ao desenho, sendo que no terceiro para o quarto período conheci o desenho de humor e descobri que essa era a minha grande paixão".

Entretanto, ele explica que fazer desenho de humor não significa "enfeiar" a pessoa, como muitos acreditam que seja o foco da caricatura, e sim "sempre encontrar a melhor distorção possivel, e junto a isso usar elementos que digam respeito ao universo da pessoa que está em foque na caricatura".

Adam Rabello
Carlinhos de Jesus

Adam acredita que a charge "marca todos os principais acontecimentos históricos e políticos, é a linguagem do povo". Suas inspirações vêm de referências em livros sobre caricatura e ilustração em geral. E diz que, para um bom desenho ser feito, sempre escuta também uma boa música. Uma motivação importante para impulsionar sua carreira foi o primeiro concurso de caricaturas que participou, em que tirou o primeiro lugar.

"Outro episódio marcante foi o primeiro evento de caricaturas feitas ao vivo que participei. O ato de criar uma caricatura em alguns minutos e causar uma sensação de surpresa e alegria nas pessoas não tem preço", conta Adam.

Adam Rabello
Vinícius de Moraes

Em relação ao reconhecimento da profissão, o cartunista acredita que existe muita falta de informação: "muitas pessoas confundem o ilustrador com cartunista ou pensam que todo cartunista faz charge. O que acontece é que o contratante acha que todos os trabalhos são iguais ou que todo cartunista tem o mesmo traço. No caso da caricatura, é um trabalho autoral, e é importante para o contratante conhecer o trabalho do artista antes de contratá-lo. Profissionalmente o respeito passa a acontecer quando você cria um nome. As pessoas olham apenas para o nome do artista, mas se esquecem que sem o trabalho de qualidade esse nome não existiria", explica.

Adam Rabello
Jimi Hendrix



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