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Publicado em: 26/06/2009 18:01
"Ilustradores não se veem ainda como jornalistas", diz Ricardo Cunha Lima

Por Eduardo Neco/Redação Portal IMPRENSA

Ricardo Cunha Lima é ilustrador, designer, já foi professor universitário e acumula passagens pelos maiores veículos impressos do país. Com esse histórico, o entrevistado desta semana da seção "Traço", tem autoridade suficiente para olhar para seus colegas de profissão e sentenciar que os "ilustradores não se veem ainda como jornalistas", visão essa que, em sua opinião, contribui para o distanciamento entre repórteres e ilustradores.

Ricardo Cunha

Para ele, não deve existir diferenciação entre a informação escrita e a apresentada através de imagens, posto que, ambas possuem a mesma intenção, mas estão longe de angariar o mesmo reconhecimento. "As pessoas têm uma tendência de ver os profissionais como pessoas que vão embelezar, mas ele [o ilustrador] está lá pra comunicar e, sem dúvida, é uma forma de comunicação, mas em uma linguagem mais pictórica. É preciso entender que o jornalismo não se limita à escrita".

Ricardo Cunha

Ele desmistifica a função do designer como artista incompreendido e o coloca como simples produtor de conteúdo que, antes de militar por seu traço artístico, deve compreender o mercado e atuar, em princípio, como peça integrante deste cenário. "Ele tem que ter uma visão artística, mas ele sempre tem que se perguntar: 'Para quê serve a ilustração que estou produzindo?'; ' Qual o contexto da informação?' ; 'Por que você quer que eu faça isso?'".

Ricardo Cunha

O segredo da comunicação bem sucedida para os profissionais tanto do traço quanto da escrita, segundo Lima, está em entender o contexto, pois, quanto mais clara for "esta percepção, melhor será o resultado do trabalho requisitado pelo cliente". "Esta, aliás, é a principal lição que um estudante pode aprender na faculdade", revela o ilustrador.

Lima revela, ainda, que os avanços tecnológicos militaram a favor da divulgação do trabalho dos ilustradores, mas prejudicaram a profissão por conta do barateamento das obras. "A ampla divulgação barateou a ilustração. A gente tem que produzir muito para viver disso, mas o mercado é vasto. No entanto, o que me preocupa é que em todas as áreas os trabalhos estão ficando cada vez mais baratos".

Ricardo Cunha

Segundo ele, este fenômeno de desvalorização ocorre, principalmente, por conta das pessoas associarem qualidade com rapidez, aspectos que, quase sempre, não caminham juntos. "Não é porque se pode entregar um trabalho com muito mais rapidez que antigamente que isso demandará menos tempo do ilustrador. Essa é uma falta de visão preocupante que pode diminuir, cada vez mais, a qualidade".

Ricardo Cunha

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