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Publicado em: 09/11/2005 18:15

Furo: Roberto Cabrini fala sobre os bastidores da matéria que abalou a Opus Dei

Por Gabriel Mitani, da redação 


Há algumas semanas, o jornalista Roberto Cabrini, da Band, foi o protagonista de um caloroso debate sobre uma das mais radicais correntes da Igreja Católica, a Opus Dei. No "Jornal da Noite", ele colocou no ar uma matéria carregada de denúncias em que pessoas, que já estiveram envolvidas com a Opus Dei, revelam o funcionamento interno da prelazia. 

O lançamento do livro “Opus Dei – Os Bastidores” (Verus Editora) também colaborou para que vários outros veículos corressem atrás da pauta. Assim, novas denúncias surgiram e o debate promete não acabar por aí. IMPRENSA entrevista o próprio Cabrini, que conta um pouco sobre os bastidores do furo. Confira.

IMPRENSA – Como surgiu a idéia de fazer uma matéria sobre a Opus Dei?
Roberto Cabrini –
Nós recebemos, na verdade, algumas denúncias de pessoas que eram da Opus Dei e saíram de lá. Eram relatos muito interessantes, carregados de informações novas e reveladoras. A partir daí, começamos a apurar e buscar novas fontes. Foi quando surgiu a idéia de fazer a matéria um pouco mais aprofundada.


IMPRENSA – E o eixo da matéria foi mesmo o livro “Opus Dei – Os Bastidores”?
Cabrini –
O livro veio apenas confirmar e reforçar tudo o que havia sido dito para a nossa equipe, só que de forma mais detalhada. Ele foi importante porque nós conseguimos entrevistar os seus autores, que têm uma credibilidade grande. Mas nós começamos a matéria e iniciamos a pauta antes de ter conhecimento do livro. E assim que ficamos sabendo que algumas pessoas iriam publicar relatos sobre os bastidores da Opus Dei, fomos atrás.

IMPRENSA – Houve algum tipo de dificuldade para realizar a matéria?
Cabrini –
A única dificuldade foi de falar com alguém da Opus Dei. Eles são muito fechados, não falam de jeito nenhum. Mas tentamos fazer a matéria da forma mais equilibrada possível. A Opus Dei está convidada – e sabe disso – para se manifestar quando quiser. É uma pena, porque a matéria acabou ficando com essa defasagem.

IMPRENSA – Qual foi a repercussão?
Cabrini –
Foi muito grande. Tanto que, depois de nós, vários veículos começaram a investigar o caso. Outras denúncias foram confirmadas com ainda mais detalhes, o que só me dá a certeza de que o nosso trabalho gerou bons efeitos. Nós temos essa função de discutir práticas da sociedade, gerar reflexões ou colocar no ar relatos que chamam a atenção e que tenham fundamento.

Falar de religião envolve muito cuidado. Mas eu acho que fomos bem-sucedidos. Não fizemos juízo de valor algum, apenas reproduzimos o que nos foi dito e apuramos os fatos. No jornal, eu costumo fazer comentários depois das matérias. Sobre essa, no entanto, eu nem precisei falar nada porque ela já dizia por si só.

IMPRENSA – Você acha que os dois lados da história foram ouvidos?
Cabrini –
Não tenho a menor dúvida. Esse é um mandamento básico do jornalismo e nós não o descumprimos em momento algum. Fomos atrás da Opus Dei, insistimos, mas eles não quiseram dar declarações e nem se manifestaram. O nosso dever, nós fizemos.

IMPRENSA – Há algum plano de persistir nas matérias e aprofundar ainda mais o assunto?
Cabrini –
No momento não. Acho que os relatos e as declarações foram bem diretos e não há mais muito o que falar. Eu só gostaria de ouvir algo que a Opus Dei tenha a falar a respeito. Na verdade, essa discussão pode até ajudá-la a repensar seus princípios e a maneira que lidam com as pessoas.


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