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furo do mês: Opus Dei – Os Bastidores: o livro bombástico que pautou as redações
Redação Revista Imprensa

Um
livro, duas reportagens na TV e uma entrevista para a Época abrem ao
público o fechado universo da prelazia católica Opus Dei, uma instituição que
concentra milhares de membros em todo o mundo. Jornalistas encontram dificuldade
para falar com os membros e, segundo os autores do livro, haveria uma espécie
de conspiração de silêncio em torno do tema.
Há
furos em que é preciso ter sorte. Outros, audácia. Em muitos, boas fontes e
paciência. No mês de outubro, o mercado editorial presenciou o lançamento de
um livro – o primeiro sobre o assunto no país – que revela os bastidores da
mais enigmática instituição da Igreja Católica, o Opus Dei. Opus Dei – Os
Bastidores (Verus Editora) – foi resultado de anos e anos de contato de
seus autores com o Opus Dei: eles não são jornalistas e nem precisaram pesquisar
a fundo o universo da prelazia católica. Dario Fortes Ferreira, Jean Lauand
e Marcio Fernandes da Silva, os autores, são ex-membros que, abrindo a porta
da própria memória, provocaram um corre-corre da imprensa em torno do tema.
A paisagem descrita no livro é assustadora: envolve desde preconceito contra
a capacidade intelectual de mulheres até lavagem cerebral e uso obrigatório
de instrumentos de mortificação corporal – como as cordas de autoflagelação
e o cilício, um cordão com pontas de ferro usado sobre uma das coxas durante
várias horas do dia.
Roberto
Cabrini, âncora e editor-chefe do "Jornal da Noite", na Band, foi
o primeiro a tentar abrir a caixa-preta. Com um ar de denúncia, a produção veio
carregada de músicas de suspense e um visível apelo emocional. Bem que Cabrini
tentou conversar com alguém do grupo, mas não obteve uma resposta sequer. "Nosso
objetivo era fazer a matéria da forma mais equilibrada possível, só que o Opus
Dei é muito fechado, não dá entrevista de jeito algum", explica o jornalista.
No
embalo do furo, a concorrente Record e os bispos da Igreja Universal aproveitaram
para dar a sua estocada. Alguns dias depois, o "Domingo Espetacular"
divulgou novas denúncias e até ensaiou abordar algum membro da prelazia em Barcelona,
cidade de origem da instituição. Mas também foi mal-sucedida: nenhum membro
quis falar.
"Quando
nos aproximávamos das rodinhas de estudantes do Colégio Xaloc [que pertence
ao Opus Dei e só recebe garotos], as pessoas andavam cada uma para um lado e
nos evitavam", conta a repórter Lorena Calábria, da Record. Na verdade,
a repórter fazia uma outra reportagem em Lisboa e estava apenas de passagem
por Barcelona. Foi quando ligaram, de última hora, pedindo que entrevistasse
alguém ligado ao Opus Dei na cidade natal do grupo religioso. "Nesse tipo
de matéria, é difícil ouvir os dois lados da história. Principalmente quando
um dos lados, no caso a Opus Dei, não quer ser ouvido."
O
eixo da matéria da Record girou, basicamente, em torno do livro recém-lançado,
já que dois de seus autores foram entrevistados. Acusados de querer provocar
a Igreja Católica, os jornalistas da Record se defendem. "Não há nenhum
tipo de ataque aos católicos. A matéria não teve caráter de denúncia, mas de
revelar bastidores", afirma Paulo Nicolau, diretor do programa "Domingo
Espetacular". "Nós temos plena liberdade editorial. Não há vínculos
entre os bispos e os jornalistas, e isso está até assinado em contrato."
Leia
matéria completa na edição 208 (dezembro/2005) da revista
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