Piada cara: charges publicadas em jornal da Dinamarca e da Noruega geram boicote islâmico ao comércio dos países
Denise Moraes | Redação Portal IMPRENSA
Esta é uma das 12 charges feitas por Kurt Westergaard satirizando o profeta Maomé, publicadas pelo jornal dinamarquês
Jyllands-Posten em setembro de 2005. Há poucos dias, as mesmas charges foram reproduzidas por um jornal norueguês, informou a Folha Online.
Nada satisfeitos com a “brincadeira”, os 57 países integrantes da Organização da Conferência Islâmica (OCI) decidiram por um protesto pacífico contra o governo da Dinamarca, o qual, no entendimento da OCI, deveria ter condenado a publicação dos desenhos.
A repercussão já começou a gerar problemas que ultrapassam a diplomacia e influenciam a economia. Empresas dinamarquesas com sede em países árabes começaram a ser boicotadas. A Arla, companhia dinamarquesa de alimentação, que exporta dois terços de sua produção para o Oriente Médio, foi a primeira delas. A empresa já anunciou na última sexta-feira a publicação de um comunicado na imprensa saudita se distanciando da polêmica sobre as charges.
Mesmo assim, países como Kwait e Bahrein têm em seus parlamentares os maiores incentivadores ao boicote de produtos dinamarqueses. Em Bahrein, inclusive, produtos lácteos dinamarqueses foram queimados e protestos contra as charges têm sido enviados em forma de mensagens de texto para os celulares pedindo o boicote de produtos dinamarqueses e noruegueses.
Já no Iêmen, o parlamento solicitou à Liga Árabe e à OCI que exijam desculpas dos governos da Dinamarca e da Noruega, além de sanções para as duas publicações
que publicaram as charges.
E no emirado de Dubai (pequeno país onde o cantor Michael Jackson morou nos últimos meses) um erudito muçulmano disse os governos muçulmanos deveriam chamar seus embaixadores na Dinamarca para consultas e boicotar os produtos do país.