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Publicado em: 13/07/2008 13:48
Relatório da Operação Satiagraha cita jornalistas, mas não aponta provas

Redação Portal IMPRENSA

Jornalistas de diversos grupos e veículos aparecem citados no relatório final da Operação Satiagraha, assinado pelo delegado da Polícia Federal (PF) Protógenes Pinheiro de Queiroz. No entanto, as únicas provas de que os grupos de Daniel Dantas e Naji Nahas manipulam profissionais de imprensa, são supostas conversas de jornalistas com o banqueiro e o investidor. As informações são da Folha de S.Paulo.

Entre os nomes citados no relatório da Polícia Federal, estão os de Andréa Michael (repórter da sucursal de Brasília da Folha), Elvira Lobato e Guilherme Barros (também da Folha), Vera Brandimarte (Valor Econômico), Paulo Andreoli e Thomas Traumann (revista Época), João Saad (TV Bandeirantes), Roberto D'Ávila (TVE Brasil), além dos colunistas de Veja Diogo Mainardi e Lauro Jardim. Ainda de acordo com a Folha, nenhum dos jornalistas citados foi ouvido pela PF.

Motivos

O relatório aponta Andréa Michel como "integrante da organização criminosa", "travestida de correspondente da Folha de São Paulo na cidade de Brasília". A PF havia pedido a prisão da repórter, além de um mandado de busca e apreensão em sua residência, como adiantou o Portal IMPRENSA. A solicitação, porém, foi negada pela Justiça. A polícia afirma que a jornalista "vazou informações", já que publicou matéria sobre a operação em abril deste ano. De férias, Andréa não foi encontrada para comentar o assunto.

As revistas Veja e IstoÉ Dinheiro são apontadas pela polícia como publicações que estão a "serviço do grupo de Dantas". Tanto Jardim quanto Mainardi, refutaram a acusação, em entrevista à Folha.

O editor da revista Istoé Dinheiro, Leonardo Attuch, também foi acusado de ter feito artigos "encomendados". Para ele, esta é "mais uma tentativa de intimidação". "Sou alvo de leviandades da PF desde 2004", disse.

De acordo com a Polícia Federal, há jornalistas que falam com Naji Nahas quase todos os dias. A intenção, segundo o relatório, seria juntar o maior número de formadores de opinião para "dar a sua versão da história". Nesse ponto, são citados Vera Brandimarte, Paulo Andreoli, Thomas Traumann, Elvira Lobato, Guilherme Barros e João Saad. Ouvidos pela reportagem da Folha, Vera, Truamann e Barros negam as acusações. Já Elvira Lobato não foi ouvida por estar em viagem à China.

Roberto D'Ávila foi citado pela PF por ter recebido R$ 50 mil de Nahas em 2007. Segundo ele, o valor se deve a uma pesquisa feita pela CDN - sua empresa - sobre a imagem do empresário na mídia.

Vou detonar!

Na última sexta (11), parte de um diálogo informal de Daniel Dantas como o delegado Protógenes, ocorrido na quinta (10), foi repercutido na imprensa. O jornalista Bob Fernandes, na Terra Magazine, reproduziu o diálogo: "o delegado Queiróz diz ao acusado: '...sua grande ruína foi a mídia...você perdeu muito tempo com isso, leia esse capítulo sobre a mídia e entenda porque você está preso...sua defesa começa aqui, com todo o respeito que eu tenho ao seu advogado aqui presente...".

Após essa declaração, Dantas responde: "Eu vou contar tudo! Vou detonar! Vou contar tudo sobre todos. Como paguei um milhão e meio para não ser preso pela Polícia Federal em 2004, tudo sobre minhas relações com a política, com os partidos, com os políticos, com os candidatos, com o Congresso... tudo sobre minhas relações com a Justiça, sobre como corrompi juízes, desembargadores, sobre quem foi comprado na imprensa...".

No entanto, na sexta-feira (11), em depoimento formal, o banqueiro é aconselhado por seu advogado, Nélio Machado, a ficar quieto.

Leia mais

- Em conversas na PF, Daniel Dantas afirma ter corrompido jornalistas
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