|
Apesar de vídeos no YouTube, polícia libertou atirador na Finlândia
Redação Portal IMPRENSA
Após interrogar, na segunda-feira (22), o estudante do segundo ano de hotelaria Matti Saari, 22 anos, por aparecer em vídeos no YouTube atirando e elogiando a guerra e a morte, a polícia filandesa o liberou por não achar motivos para prendê-lo. No dia seguinte, na última terça-feira (23), o jovem matou dez pessoas em uma escola do oeste da Finlândia e depois atirou na própria cabeça.
"O detetive que comandava o caso não pensou que as circunstâncias fossem tais que pedissem o confisco da arma e a suspensão da licença", disse a ministra do Interior finlandesa, Anne Holmlund.
Nesta quarta-feira (24), foram divulgados detalhes sobre as vítimas. Segundo a agência de notícias Associated Press, foram executadas oito mulheres - todas estudantes - e dois homens, um professor e um aluno.
O departamento de investigação nacional informou ainda que Saari feriu uma outra estudante antes de atirar contra a própria cabeça. A identificação dos corpos foi difícil, visto que muitos deles estavam carbonizados pelo incêndio provocado pelo assassino com explosivos.
Segundo Jari Neulaniemi, policial que lidera a investigação do caso, o atirador deixou duas notas escritas à mão em seu quarto no qual dizia ter planejado o ataque desde 2002 e que ele odiava a espécie humana.
Porte de armas
Urpo Lintula, porta-voz da polícia, confirmou que o atirador havia conseguido sua permissão para porte de armas em agosto deste ano e que os oficiais chegaram à escola dez minutos após o alarme. Saari chegou a atirar nos policiais, mas nenhum foi ferido.
O episódio reavivou as críticas contra a legislação finlandesa de armas de fogo e levantou dúvidas se a polícia poderia ter impedido o massacre.
No entanto, especialistas afirmam que não se pode culpar a polícia pelo tiroteio. "Não é justo esperar que a polícia seja clarividente como no filme 'Minority Report' e saiba quando ou não alguém que faz um vídeo tenha a intenção de fazer o mal de acordo com aquele vídeo", afirmou o secretário-geral da Interpol Ronald Noble. O caso ocorreu quase um ano após Pekka-Eric Auvinen, um garoto de 18 anos, ter matado oito pessoas em uma escola finlandesa na região de Tuusula. As vítimas foram seis alunos, a diretora do instituto e a enfermeira do centro de ensino, assim como o autor dos disparos, que morreu em um hospital de Helsinque após disparar um tiro contra a própria cabeça.
Leia mais
-Garotos italianos dizem ter usado YouTube para aprender a montar bomba
-YouTube é condenado a pagar indenização a menores que participaram de vídeo violento |