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Publicado em: 17/10/2008 18:23
Game em que jogador mata muçulmanos causa revolta entre religiosos

Redação Portal IMPRENSA

Islâmicos de vários países expressaram revolta contra um jogo online que nomeia como vencedor aquele que matar o maior número possível de muçulmanos, incluindo até mesmo o profeta Maomé e Alá. Intitulado "Muslim Massacre" ("Massacre Muçulmano", em tradução livre), o game transforma o jogador em um soldado americano cuja missão é eliminar os indivíduos de tal religião.

"Por que algumas pessoas precisam inflamar ainda mais uma situação já tensa?", pergunta o editor do jornal Gulf News, publicado nos Emirados Árabes Unidos, Nicholas Coates. "Ainda há muitos muçulmanos se remoendo a respeito das caricaturas do profeta Maomé publicadas em um jornal dinamarquês", ressalta ele. 

Segundo reportagem da BBC Brasil, supõe-se que o jogo tenha sido criado na Austrália, por um jovem que adota o pseudônimo de Sigvatr e que se diz inspirado na guerra contra o terror lançada pelo presidente americano George W. Bush. "Seria mera coincidência o jogo ter sido lançado durante o mês santo do Ramadã? Acho que não", afirma Coates. "Foi uma ação pensada para coincidir com o aniversário dos ataques de 11 de setembro? Provavelmente", conclui ele.

Como resposta à ofensa, uma associação de muçulmanos britânicos pediu que as autoridades tomem providências que levem ao fechamento do site. "Esse jogo glorifica a matança de muçulmanos no Oriente Médio e fazemos um apelo para que os provedores de acesso removam o site já que ele incita a violência contra os muçulmanos e tenta justificar o assassinato de pessoas inocentes", diz um comunicado da Ramadhan Foundation. "Encorajar crianças e jovens a matar muçulmanos em um jogo é inaceitável, de mau gosto e profundamente ofensivo", afirma o presidente da associação, Mohammed Shafiq. "Se existisse um jogo parecido, mostrando muçulmanos trucidando americanos ou israelenses, a indignação seria mundial", acrescenta.

Ainda na última segunda-feira (13), veículos de imprensa noticiaram que o site havia parado de disponibilizar o game, exibindo uma retratação no lugar. "Gostaria de pedir desculpas publicamente por qualquer ofensa que possa ter causado", dizia a mensagem na página, segundo a mídia australiana. "Minhas intenções quando lancei o projeto eram tirar sarro da política externa americana e da percepção comum nos Estados Unidos de que muçulmanos são hostis", acrescentava o texto. "Quero esclarecer que nunca compartilhei dessas crenças", finaliza.

A surpresa, no entanto, foi que na última quinta-feira (16), o jogo novamente disponível para os internautas, com os dizeres "Não seja um liberal! Baixe o jogo agora". Dessa vez, nenhuma atitude foi tomada pelas autoridades, mas algumas pessoas favoráveis ao jogo se manidestaram. O editor da revista online australiana Tech.borge, Dave Parrack, reconhece que o jogo é de mau gosto, mas questiona aqueles que o desejam proibido. "Defendo que, qualquer que seja a mensagem no centro do jogo, ele deve ter respeitado o seu direito de existir, meramente porque, ao pedir para que ele seja proibido, se pede também para que a internet seja censurada", diz Parrack.

Já o vice-reitor da Universidade Internacional do Egito, Hamdy Hassan, aponta para o potencial explosivo que o game pode ter na mente de muitas pessoas do mundo árabe. "Essa é a expressão de um ponto de vista radical", afirma Hassan. "Ele [o jogo] mostra a animosidade que alguns ocidentais têm para com os muçulmanos e vai certamente contribuir para o aumento das hostilidades entre os dois lados, ao invés de diminui-las", acrescenta.
 
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