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Publicado em: 18/06/2009 23:44
"Não é o diploma que faz a diferença", diz Ana Estela de Sousa Pinto, da Folha

Por Thaís Naldoni/Redação Portal IMPRENSA

Divulgação/Folha
Ana Estela
O fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício do Jornalismo, decidido na última quarta-feira (17), pelo Superior Tribunal Federal (STF), tem provocado manifestações de entidades de classe, tanto patronais quanto profissionais.

Para Ana Estela de Sousa Pinto, editora de Treinamento da Folha de S.Paulo, o fato de o diploma não ser mais obrigatório não tira o mérito das faculdades, nem faz a formação dispensável. Acompanhe.

Portal IMPRENSA - Na sua opinião, a decisão do STF é correta?
Ana Estela
- Sim. Acho que o diploma não deve ser obrigatório, o que não implica desvalorizá-lo. Não sou contra o diploma nem contra as faculdades de jornalismo. Sou a favor de dar liberdade aos aspirantes a jornalistas, para que não fiquem acorrentados a cursos medíocres e possam escolher a formação que melhor lhes convém. Os bons cursos continuarão formando bons jornalistas.

É importante ter claro que a história prova que o diploma não é indispensável, não só no exterior --na maioria dos países ele não é obrigatório-- mas também no Brasil, onde se fazia jornalismo de qualidade antes da obrigatoriedade decidida na ditadura.

Também é importante ver que há vários exemplos de como a obrigatoriedade do diploma não blindou o jornalismo contra erros, falhas éticas etc.

Ou seja, não é o diploma que faz a diferença, mas a formação dos jornalistas e capacidade da sociedade de fiscalizar a qualidade dos veículos.

IMPRENSA - Quais as principais consequências para a academia e para o mercado?
Ana Estela
- Acho que serão positivas. A academia terá que discutir muito seu novo papel e se aprimorar. E cursos que sobreviviam apenas das algemas impostas pela obrigatoriedade terão que melhorar drasticamente ou acabarão fechando, o que também é positivo.

O mercado dos grandes veículos, que investem em qualidade, continuará  tentando contratar os melhores, como já fazia. E quanto mais liberdade tiverem os contratados, mais capacidade de lutar por melhores salários (não ser obrigado a se formar em jornalismo permite aos aspirantes a jornalistas mais perspectivas profissionais. Quem for bom terá mais cacife para brigar por salários e condições de trabalho).

Acho que pode haver um impacto negativo em veículos que não se preocupam com qualidade --aquela história que circula por aí, de contratar a faxineira etc. Mas, do jeito que está o mercado hoje, com dezenas de milhares de formados em jornalismo todos os anos competindo por algumas centenas de vagas apenas, quem queria contratar gente fraca a preço de banana já conseguia. Não era o diploma que impedia isso.

IMPRENSA - Você acredita que as empresas continuarão a priorizar os formados?
Ana Estela
- Sim, pelo menos as empresas que investem em qualidade. Ponha-se no lugar de um editor: se você precisa contratar um repórter ou um redator, vai procurar aquele que melhor resolve seu problema. O que é mais inteligente, mais preparado, mas também o que já tem noção do que precisa fazer. Quase ninguém hoje em dia tem tempo ou disposição para ensinar o beabá da profissão. O candidato a um posto nos grandes veículos tem que saber o básico, ou não terá chances, a não ser em casos excepcionais.

IMPRENSA - Como a Folha de S.Paulo deve proceder?
Ana Estela
- A Folha deve continuar fazendo o que sempre fez: tentando atrair os mais inteligentes, mais talentosos, mais preparados. O que importa é a qualidade do profissional, que se traduz em qualidade do jornal.

Leia mais

- "Continuarei contratando apenas pessoas com formação", disse Josemar Gimenez, dos Diários Associados
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