Redação do jornal goiano O popular sofre intimidação da Polícia Militar

Daniela Ades/ Redação Portal Imprensa | 04/03/2011 12:04
Na última quinta-feira (3/03), em torno das 10h, oito viaturas da Rondas Ostensivas Táticas Metropolitana (Rotam), com 30 policiais, passaram em frente a redação do jornal O Popular em baixa velocidade, com luzes e sirenes ligadas. Suspeita-se que a ação, registrada pelas câmeras de segurança da empresa, seja uma forma de intimidação do batalhão da PM. O segundo jornal de maior circulação do Centro-Oeste e sede da filiada da Globo, TV Anhaguera, publicou reportagens a respeito da operação Sexto Mandamento, deflagrada pela Policia Federal. A operação acusou 19 policias militares de atuarem em milícias de extermínio dentro da PM. 

O comboio da Rotam, que fica a 3 km do Batalhão, deu pelo menos duas voltas no quarteirão da empresa OJC - que publica os veículos. Enquanto reduziam a velocidade, olhavam fixamente para o prédio, conta o repórter do jornal Almiro Marcos ao Portal IMPRENSA. Naquele momento, estava presente na empresa o  recém-eleito Procurador Geral de Justiça, Benedito Torres, que testemunhou o ocorrido. 

Por meio de escutas telefônicas autorizadas e fornecidas pela investigação Sexto Mandamento, foram registradas conversas entre policiais que diziam coisas como "Mato por satisfação", "Sangue na farda", "Gosto de matar mesmo", etc.

Marcos disse que a repercussão na capital após a veiculação da edição de ontem foi grande e decisiva nas ações do Governo do Estado. Pela manhã, metade do comando da polícia militar já havia caído.  O comandante Carlos Henrique da Silva e outros tenentes foram afastados de seus cargos, supostamente desviados para funções administrativas. O novo comandante será o tenente-coronel Luiz Alberto Tardinha Bittes. 

O público também repercutiu a história. Na quinta-feira, o jornal esgotou nas bancas já nas primeiras horas da manhã. Jornalistas comentavam pelo Twitter a confirmação das suspeitas de que havia um esquema de extermínio interno da polícia - o que a intimidação à OJC apenas confirmava. "Essa tentativa de intimidação da Rotam só corrobora tudo o que a polícia aponta em suas investigações sobre extermínio e outras práticas", disse Carla Borges (@carrlaborges), também repórter de O Popular, em sua página no microblog.

A redação de O Popular afirmou que continuará a publicar reportagens a respeito da operação Sexto Mandamento e sobre a intimidação que o jornal sofreu por parte dos policiais, mantendo em sigilo a  identidade dos jornalistas por questões de segurança. Sobre o caso, o repórter Almiro Marcos disse que "acaba ferindo a imprensa" e que afinal de contas a ação dos policias da Rotam foi um contrassenso: "As nossas reportagens eram sobre os acusados que foram presos, não sobre os que estão soltos. Eles acabaram tomando as dores dos policiais."

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