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Publicado em: 10/01/2008 19:04
Roca Maia: "Já tínhamos anunciante na espera para a próxima edição".

A revista Iguais tinha tudo para ser um sucesso de vendas em bancas. Com anúncios sobrando, ótimos profissionais e um espaço ainda não preenchido no mercado editorial, a publicação idealizada por Roca Maia, porém, só teve uma edição. Engana-se quem pensa que foi o projeto furou. A editora Onde responsável pela revista fechou por problemas internos que nada tinham a ver com a publicação. Nessa entrevista concedida à revista IMPRENSA, Roca Maia conta o processo que deu origem a Iguais e fala que, atualmente, é politicamente correto aceitar os gays.

Por Ana Ignacio

A revista Iguais nasceu e morreu quando?

O projeto começou a ser trabalhado em 2004. A número 01 foi lançada no final de 2005 e seria trimestral. Mas a editora fechou em fevereiro de 2006, ou seja, a publicação foi encerrada.

Qual era a proposta da revista?

A Iguais não fazia ensaios nus, já tem um monte de revistas assim, a proposta era outra. Acho que o nu pode afastar anunciantes e gerar mais preconceito. Mas esse não era o motivo dela não ter nus, a proposta era outra mesmo. Porque o gay é uma pessoa como outra qualquer, veste, come, consome cultura, viaja, tem problemas, realiza sonhos, a única diferença é que gosta do mesmo sexo e é pra esse público que a Iguais foi criada.

Então era uma revista de informação?

Nossa intenção era aliar informação e entretenimento, saindo do lugar comum do universo gay, voltando-se a um público melhor informado.

Era para o público masculino ou feminino?

Era uma revista GLS.

Qual era a maior dificuldade para produzir a revista?

A Iguais tinha custo de produção muito elevado, pois contratamos bons profissionais. Mas a grande dificuldade era convencer as pessoas que a revista tinha tudo para dar certo, que não havia nada nesse nível para esse público.

Como e quando surgiu a idéia de lançar a revista?

Era um projeto meu antigo que foi tomando forma até se concretizar. Passou por várias etapas e teve vários colaboradores, de acadêmicos da USP até místicos. A Onde Editora topou o desafio e entramos com tudo, com a Madona na capa.

Por que a editora fechou?

Problemas internos da editora que nada tinham a ver com o lançamento da revista. Posso dizer que a revista foi um grand finale da editora, pois os proprietários estavam investindo em outros setores profissionais.

Como foi feita a divulgação da revista?

Foi muito tímida. Não houve uma grande divulgação e ainda assim os resultados foram surpreendentes.

Foi bem aceita pelo público?

Na medida da pouca divulgação e investimentos, foi sim. Mas não deu para ter uma estatística ou mesmo aproximações acerca dos resultados, pois a editora fechou logo após a revista ser lançada. Mas, na mídia a divulgação superou as expectativas.

Foi muito difícil conseguir anunciantes?

Não foi difícil. Houve até seleção de anúncios porque tínhamos um limite de espaço publicitário. A revista tinha um projeto bem articulado, não foi adiante por falta de chance. Já tínhamos anunciante na espera para a próxima edição.

Você acha que as revistas gays devem ser engajadas ou devem funcionar como um meio de entretenimento? 

Acho que deve haver equilíbrio entre o engajamento e também o entretenimento. A fórmula é esclarecer e informar.

Alguns dados informam que os gays se concentram nas classes mais privilegiadas financeiramente. Você acredita nesses dados?

Existem gays em todas as classes sociais. Considerando as omissões e dados incertos, o censo GLS é uma referência estatística do universo GLTB sobre as classes AB de São Paulo, que considero bastante viável. A realidade social é que os gays têm maior poder de consumo porque, em geral, podem investir mais em si mesmos, independente de classe social.

Como você avalia a cobertura, o tratamento que é dado pelas publicações gays ao universo gay? Acha que o conteúdo consegue retratar a realidade do universo gay?

Ainda está muito distante do ideal. Entendo que o apelo sexual ainda é muito presente até mesmo como uma resposta pelos anos de opressão. Mas caminhamos com passos mais acertados e vejo com boa expectativa a abertura e a conscientização das diferenças na igualdade.

Há hoje menos preconceito, logo mais espaço para a mídia gay?

Ainda há muito preconceito. Porém, assume-se menos a rejeição pelo diferente. Não que não exista, mas porque se tornou politicamente incorreto. Há uma abertura do mercado e isso faz com que as iniciativas tenham como aliado a força do capital. Portanto, iniciativas nesse sentido, são sempre bons investimentos com retorno garantido, isso é fato.
 
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