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Publicado em: 22/01/2008 13:50
Desconstruindo Renata

Um ano após sua estréia em carreira solo no competitivo e machista universo dos programas de futebol, Renata Fan atinge estabilidade profissional, revela maturidade, consciência de seus horizontes e limites e demonstra como é fácil usar salto alto

Por Rodrigo Mazano / Fotos: Pya Lima

Renata Fan adora cada um de seus 400 pares de sapatos, torce para o Internacional, esforça-se para abandonar o consumo de chocolates e odeia quando encontra gerúndios no script de seu programa. O título deste texto, sob os cuidados de Renata, já teria sido trocado por outro, em que "desconstruindo" talvez fosse substituído por "desconstruímos", por exemplo.

Seria exagero dizer que gerúndios e gremistas estão par a par na lista das coisas que mais odeia. Digamos que ela, saudavelmente, alimenta a emoção dos colorados aos gremistas, seja no Rio Grande do Sul ou em qualquer Centro de Tradições Gaúchas espalhados por onde vivam dois ou mais nativos da terra. No dia da entrevista a IMPRENSA, Renata Fan se atrasou 40 minutos. Esbaforida, lamentou o incidente e justificou-se: era dia de jogo do Boca Juniors contra o Etoile du Sahel, da Tunísia e, desde que os argentinos derrubaram o sonho gremista de vencer a Libertadores de 2007, ela se agregou à torcida do clube portenho. Vê-se, portanto, que, no caso dos times gaúchos, não se trata de ódio, mas de devoção. Já com os gerúndios é purismo, mesmo.

Alimentando as rixas contra os gremistas, Renata cumpre suas expectativas como torcedora do Inter e gaúcha nata. Mas em outros aspectos da vida, avançou demais no território tradicionalmente reservado às mulheres. Tal qual certa baronesa Dudevant - escritora francesa que se pôs em smoking, fumou charutos cubanos e adotou o pseudônimo de George Sand, escandalizando a sociedade francesa do século XIX -, Renata Fan rompeu os limites do aceitável no mais sério, importante e decisivo assunto nacional: o futebol. Ao contrário da baronesa, no entanto, nunca se viu Renata Fan vestida de homem. No raro dia em que ela apareceu de calça jeans e tênis All Star na redação da Bandeirantes, para a transmissão de seu programa "Jogo Aberto", o assunto não foi outro nas paragens do Morumbi. A notícia correu tão rapidamente que julgaram ser boato, assim como tantos outros boatos que, vez ou outra, resvalam na vida particular da apresentadora. Mas Renata Fan de tênis é como um eclipse total do sol. Equilibrada sobre os altíssimos saltos altos, ela sobe com pique as escadas da Band e revela a vocação feminina para se equilibrar com naturalidade, segundo a primeira e fundamental regra dos antiqüíssimos manuais para locomoção sobre saltos: nunca, nunca mesmo, apoiar o peso do corpo sobre o calcanhar.

Equilibrar-se nos sapatos é fácil. Difícil foi, em quatro anos, vencer os preconceitos em zona majoritariamente masculina. O desafio para Renata Fan é duplo. Além de não ser homem, é bonita. Portanto, está sujeita a gerar antipatia tanto neles quanto nelas, evidentemente por razões distintas. Nos machos, provoca uma inabalável descrença. Nas fêmeas, uma profana inveja.

 
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