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Revista Imprensa » Edição 236 (jul/2008)
Ataque aos risos

Por Julia Baptista / Fotos: Pya Lima

Equipe do CQC é proibida de trabalhar no congresso nacional. Veto estimula debate sobre liberdade de expressão e limites entre humor e jornalismo.

Depois de ter sido informado que o CQC não poderia mais gravar no Congresso Nacional, o repórter Danilo Gentili olha para a câmera e afirma que "os políticos só querem responder as perguntas que são convenientes. Não é uma ditadura, mas a censura está aí". Momentos antes, a matéria mostrava o repórter entrevistando o presidente da Câmara, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), sobre a reforma tributária e a sonegação de impostos. Em seguida, Gentili tenta fazer perguntas ao deputado José Genoino (PT-SP), que repete apenas um raivoso "estou trabalhando", ao que o repórter responde "eu também estou trabalhando". Na edição final do trecho, o deputado ganhou uma coleira e dentes pontiagudos, garantindo comicidade à cena, por meio da representação de um cão bravo. O vídeo está no YouTube.

A equipe do programa da Band foi a Brasília produzir uma matéria sobre o funcionamento da política brasileira e, obviamente, fazer perguntas aos parlamentares. Uma autorização provisória expedida pela Secom (Secretária de Comunicação) da Câmara dos Deputados garantia-lhe o direito de gravar e fazer entrevistas no Congresso Nacional por 30 dias. Desses, a equipe conseguiu permanecer apenas dois.

Para justificar a proibição, a Câmara alegou que o programa da Band é humorístico e não jornalístico. Afirmou ainda que não fornece credencial provisória para um programa de humor. "Nós não temos autorização para ceder espaço público como locação para uma emissora privada realizar quadro permanente de programa dessa natureza. Solicitações semelhantes foram negadas para os programas 'A Praça é Nossa' [SBT] e 'Pânico' [Rede TV!], além do quadro 'Central de Boatos', do 'Fantástico' [Globo]", explica o assessor de imprensa da casa, Cid de Queiroz.

Segundo o assessor, o Congresso vive um clima de tensão permanente. "A gente tem de ter critérios para a coisa não desandar". O CQC foi "aceito" baseado nesses critérios, mas, para a Câmara, "eles não fizeram mais do que reproduzir os clichês que a imprensa tradicional reproduz". Rir do Parlamento e fazer graça dos políticos, na opinião de Queiroz, são exemplos desses clichês. Marcelo Tas, um dos três âncoras e líder do programa, rebate: "Qualquer assunto você pode abordar com humor, até tragédias. O humor é uma lente que você bota no olho para enxergar a mesma notícia sob outro ângulo".

Leia matéria completa na edição 236 de IMPRENSA

 
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