Miriam Leitão

Miriam Azevedo de Almeida Leitão nasceu em Caratinga, no interior de Minas Gerais. Filha de um pastor presbiteriano e de uma professora primária, Miriam Leitão teve 11 irmãos e estudou no colégio Vale do Rio Doce, fundado por seu pai. Aos 18 anos, mudou-se para Vitória, no Espírito Santo, onde iniciou a carreira no jornalismo, como estagiária da Tribuna de Vitória. Dois meses depois, conseguiu uma vaga num dos principais jornais do estado, O diário.

No início da década de 1970, durante a ditadura militar, participou do movimento estudantil capixaba e chegou a ser presa, aos 19 anos, quando estava grávida do seu primeiro filho. Também foi perseguida e demitida de vários empregos. Começou a trabalhar na área econômica no final dos anos 1970. Foi editora de economia do jornal Gazeta, em Vitória, e, pouco tempo depois, mudou-se para Brasília, onde passou a cobrir o Palácio do Itamaraty para a Gazeta mercantil. Nessa época, formou-se em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB).

Em 1982, trabalhando para o jornal O Globo, Miriam Leitão cobriu as eleições diretas para governador no estado do Pará. Ficou apenas sete meses no jornal e saiu para trabalhar na Veja, em São Paulo. Pouco tempo depois, ainda no grupo Abril, deixou a redação da revista para apresentar o programa Veja entrevista, da Abril Vídeo. O programa era parte do projeto de um canal de televisão do grupo, que, no entanto, não teve continuidade.

Miriam Leitão foi, então, convidada por Marcos de Sá Correa para cobrir as férias do colunista Zózimo Barroso do Amaral, no Jornal do Brasil. Ficou responsável pelo espaço durante seis meses e, em seguida, passou trabalhar como repórter de Economia. Na editoria, escreveu a coluna Coisas de economia, que mais tarde se tornou Informe econômico. Em 1986, assumiu o cargo de editora.

Nessa época, foi convidada pela jornalista Belisa Ribeiro para participar, ao lado de Marcos de Sá Correa, do programa A semana, exibido pela TV Bandeirantes. Participou também do Programa de domingo, da TV Manchete. Em 1990, saiu do Jornal do Brasil para escrever uma coluna de economia em O Estado de S. Paulo.

Miriam Leitão voltou a trabalhar no jornal O Globo em 1993, assumindo a coluna Panorama econômico no lugar de George Vidor. Em seu primeiro texto para o jornal, conseguiu um furo de reportagem, ao noticiar que o Brasil estava voltando a negociar com o FMI (Fundo Monetário Internacional). Ao longo dos anos, foi responsável por uma mudança no perfil da coluna, que deixou de publicar notas e se transformou em um espaço de análises sobre a conjuntura econômica, política e social do país.

Em 1995, além do trabalho no jornal, Miriam Leitão assumiu o cargo de comentarista de economia da TV Globo no jornal Hoje. Logo depois, começou a colaborar também com o Jornal Nacional e a fazer comentários no Bom dia Brasil. Durante a campanha das eleições de 2002, ao lado de Renato Machado, entrevistou os principais candidatos à presidência da República.

Em novembro de 2003, editou o caderno especial A cor do Brasil – Retrato do Povo Zumbi, publicado por O Globo. O suplemento especial mostrava a questão do negro no país, abordando temas como preconceito e escravidão. Em 2004, o caderno conquistou o Prêmio Tolerância da Federação Internacional de Jornalistas. Nos anos 2000, além do trabalho no jornal O Globo e nos telejornais da Globo, Miriam Leitão passou a apresentar o programa Espaço aberto Economia, da GloboNews, e a fazer comentários para a rádio CBN. Em 20 de outubro de 2005, tornou-se a primeira jornalista brasileira a receber o prêmio Maria Moors Cabot, oferecido pela Escola de Jornalismo da Universaidade de Columbia, nos Estados Unidos.

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