Ana Araujo
 

Depoimento

Merecer ganhar o Troféu Mulher Imprensa representa para mim, uma grande vitória profissional, que vem sendo conquistada no dia-a-dia, de todos esses 22 anos, dedicados ao Fotojornalismo. A minha trajetória é uma mostra dos enfrentamentos e da luta pela notícia, próprias da missão do repórter-fotográfico. Estou muito feliz, por saber que esse troféu, além de premiar a minha história e o meu contentamento por exercer o jornalismo, é um indicativo que estou no rumo certo. Mas também tem um significado importante, porque sou de uma geração de mulheres, que quando começou a trabalhar, precisou combater o machismo nas redações, por ser minoria no universo fotográfico. Hoje podemos comemorar essas conquistas, porque somos respeitadas pelo nosso potencial e pelo talento profissional. Por isso mesmo, dedico essa vitória, ao meu povo de Tacaratu, em especial à minha mãe e às mulheres fortes do meu Sertão pernambucano, que me ensinaram a sempre ter fé, coragem e determinação, em todos os momentos da vida. E até hoje, esses valores são essenciais no desempenho da minha carreira jornalística.

Quero muito agradecer por esse presente tão valoroso, que ganhei dos internautas dos vários meios, sejam eles, amigos, amigos dos amigos, parentes, conterrâneos, colegas de profissão ou leitores que já conheciam meu trabalho, entre tantos outros. Quero louvar a amizade, o imenso apoio e a torcida alegre e carinhosa de todos. Como também a minha cidade Tacaratu e aos filhos da terra, que além dos muitos votos que recebi, me inspiraram a conquistar esse Troféu Mulher Imprensa. E por último, quero dar um viva à força da internet, que liberta e valoriza a Comunicação, nos deixando mais próximos, para compartilhar sentimentos e notícias, que eu espero que sejam sempre muito boas como essa, da qual tenho a honra de ser personagem.

Minicurrículo

Ana Araujo é brasileira de Tacaratu, munícipio do sertão pernambucano. Graduada em Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco, iniciou sua carreira de fotojornalista, em 1988, na imprensa sindical e no jornal Folha de Pernambuco. Entre 1989 e 1991, trabalhou como fotógrafa freelancer nas sucursais da Agência Estado e da Folha de S.Paulo, no Recife.

Morou em Brasília, entre 1991 e 2009, onde começou trabalhando em assessorias de imprensa e no Jornal de Brasília. Em 1993, passou a ser colaboradora da revista Caras e das revistas da Editora Abril. Foi a primeira mulher contratada na função de repórter-fotográfica da sucursal da revista Veja, em Brasília, onde trabalhou, durante 14 anos.

Em 1999, no Dia Internacional da Fotografia, recebeu uma homenagem no Palácio do Planalto, durante solenidade de abertura da "V Mostra Fotográfica dos Profissionais Credenciados na Presidência da República". Nesse ano, também fez parte da exposição coletiva e do livro "Brasil 500 Anos", que reuniu obras de 100 fotógrafos brasileiros, retratando o cotidiano do país, em 24 horas. No ano 2000, participou da coletiva de inauguração da Imã Foto Galeria, em São Paulo, onde até hoje seus trabalhos fazem parte do acervo fotográfico. Durante os anos 2007 e 2008, foi convidada a participar, com outros profissionais da Abril, do corpo docente da Cátedra Victor Civita - uma cooperação técnica entre a Universidade de Brasília - UNB - e a Editora Abril - para ministrar aulas na disciplina Fotojornalismo.

Recebeu cinco prêmios Abril de Jornalismo, sendo três por trabalhos em equipe - na edição especial Veja Amazônia, em 1998, e em reportagens de Política e de Economia, em 2005 - e dois prêmios, na categoria Fotojornalismo. O primeiro prêmio, em 2003, por uma foto feita em São Paulo, durante a cobertura da campanha presidencial de 2002. E o segundo, pela fotografia "A Propina de Severino", que recebeu a distinção de foto do ano, na edição de 2006, do 31º Prêmio Abril de Jornalismo. Esse flagrante de sua autoria e a denúncia de corrupção, publicadas na Veja em 2005, foram decisivos para a renúncia do então presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti. Devido a sua importância jornalística, foi uma das 250 fotos selecionadas - entre as imagens mais significativas do acervo, de quase 60 anos, da Editora Abril para participar do catálogo e da exposição "Fotografia em Revista", que aconteceu em maio de 2009, na FAAP -Faculdade de Artes Alvares Penteado - em São Paulo.

Em 2010, voltou a morar na cidade do Recife, onde trabalha como jornalista e fotógrafa freelancer, bem como em projetos autorais, especialmente, em documentação, antropologia e artes visuais. Também vem atuando na articulação e desenvovimento de ações nas áreas de comunicação, educação e cultura, através da PROSA - Projetos para o Semi-árido - entidade não-governamental que idealizou e ajudou a fundar em 2005, na sua comunidade, Tacaratu, localizada na região do Submédio São Francisco, Sertão de Itaparica, Pernambuco.


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